Acre: Um estado por um cavalo

Continuando a série de viagens que faremos pelos estados da Federação, abordaremos hoje artigos de jornais locais do estado do Acre: “O Rio Branco” e “A Tribuna”.

Duas situações interessantes abordadas pela mídia dão conta da não antecipação da parcela do 13º salário aos servidores da prefeitura de Rio Branco e as emissões de CO2 provocadas pelas queimadas para “limpar” o solo, queimadas produzidas por agricultores locais e grileiros de terra. Antes porém uma pincelada sobre o estado do Acre. 

Conta a lenda (ou será verdade?) que o estado do Acre foi comprado pelo preço de um cavalo e recentemente o senhor presidente da Bolívia, Evo cocalero Morales reclamou publicamente do preço pago no passado. Ao que parece, pelo menos pela história “oficial”, a região, apesar de ter sido reconhecida pelo Brasil através do tratado de limites assinado em 1867 como território boliviano, ficou muito tempo desabitada e aos poucos foi ocupada por brasileiros, atrás das seringueiras, abundantes na região. Depois de muita polêmica, o estado foi incorporado ao território brasileiro em 1904, depois da aprovação do Tratado de Petrópolis, assinado em 1903 pelo Barão de Rio Branco e Assis Brasil.

Quando chega o verão, o estado e também praticamente toda a região amazônica sofrem com as queimadas. O que muitas vezes é considerada “queimada criminosa”, na verdade são “apenas” os agricultores locais e alguns grileiros de terra que põem fogo na vegetação preparando o solo para o plantio. No entanto, essas queimadas jogam na atmosfera toneladas de CO2 complicando ainda mais a situação do planeta, contribuindo com o aquecimento global.

Segundo um dirigente do sindicato dos trabalhadores rurais da região, os agricultores não dispõem de recursos para adquirir novas tecnologias utilizadas na limpeza do solo, sobrando como única opção – barata para o agricultor, caríssima para o meio ambiente – a queimada. Acredita-se que investimentos do governo poderiam diminuir a necessidade das queimadas, “lançando uma política de mecanização da agricultura familiar”. Será esse o papel do governo?

Enquanto os investimentos não vêm, os agricultores podem executar as queimadas com controle para que o fogo não avance sobre a mata aumentando ainda mais o problema decorrente de suas necessidades.

Já na capital do Estado, Rio Branco, o comércio local vai ter que esperar um pouco mais para ver a cor do décimo terceiro salário dos servidores da prefeitura, pois a vantagem não será adiantada. A justificativa da prefeitura é evitar que seus servidores fiquem endividados em dezembro, já que é “tradição” gastar no fim do ano por causa das festas de natal e ano novo. Se o 13º fosse antecipado, o servidor – pelo visto perdulário – gastaria todo o dinheiro e em dezembro teria que pedir empréstimos para honrar a “tradição”. Tese interessantíssima, por sinal!

Note que a desculpa utilizada pelo secretário de finanças de Rio Branco tem sido usada em vários expedientes ao redor do país: o problema é cultural!

A corrupção, a violência, o endividamento, o descaso, tudo é cultural. Ma se cultura é uma coisa boa…

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Arquivado em Cotidiano Nacional, Viagens pelos Estados

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