A expectativa para o Pan

Qual a sua expectativa para o Pan? Sempre temos a esperança de o Brasil ganhar muitas medalhas, principalmente agora “em casa”, com a torcida a favor e a atmosfera propícia.

Mas muitas vezes esses fatores não fazem muita diferença, pois o que dá medalha mesmo é o trabalho diário de nossos atletas, buscando a superação, buscando a excelência. O grande problema é que nossos atletas precisam vencer muito mais do que suas próprias limitações.

A falta de infra-estrutura é a principal batalha diária de nossos atletas e a falta de apoio, principalmente financeiro com a ausência de patrocinadora “enterra” de vez a tão sonhada medalha de ouro. Mesmo assim ganharemos muitas medalhas, e até de ouro (Diogo Silva, do taekwondo ganhou a primeira).

Diogo Silva
Foto: Folha Online

O exemplo da falta de investimento nos esportes vem demonstrado justamente com nosso medalha de ouro, que disse receber um verba de R$ 600,00 e ainda recebe atrasado. É uma vergonha essa situação.

Como esperar então medalhas de ouro para um país que não investe em educação, em esportes, em saneamento básico, em quase nada praticamente. Esses meninos e meninas que ganham medalhas são verdadeiramente heróis porque muitas vezes tiram dinheiro do bolso para poder chegar aos locais de treinamento e até mesmo para se alimentar durante um dia inteiro de treinos. Cadê o dinheiro para esses heróis?

E para não perder o costume de reclamar dos narradores esportivos, ontem foi humanamente impossível suportar um narrador da Record que reclamava da medalha de prata da equipe masculina de ginástica artística. Para ele, “se não fosse aquela queda, se não fosse a contusão, se não fosse…”. Faltou falar que se não fosse os outros competidores, se não fosse os outros países, se estivéssemos competindo sozinho…

Parece que a medalha de prata para a equipe artística foi de bom tamanho. Porque não se espelhar na equipe feminina, que havia sido bronze em Santo Domingo e prata agora? Elas ficaram satisfeitas porque evoluíram!

No sábado de manhã estava no barbeiro no centro da cidade, lugar propício para discutir os desígnios de um país. Cadeira dura, das antigas. Ventiladores duplos giratórios no teto. Caixa registradora do “tempo do onça”. A maioria dos fregueses sexagenários e eu lá, meio fora do contexto, mas adorando aquele clima. Nisso, o barbeiro mais velho comenta: “O que eu mais gostei da abertura do Pan foi o discurso do Lula, o melhor da vida dele”.

Na ocasião, Lula foi vaiado no estádio do Maracanã e não fez a abertura oficial do Pan. Na passagem dos atletas, chorou. Pelos atletas ou pelas vaias?

Independente da quantidade ou de nossa classificação no quadro de medalhas, todos os nossos atletas já são campeões. Quem sabe um dia nossos dirigentes dêem mais atenção ao esporte. Será pedir demais?

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Arquivado em Rio 2007

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