Arquivo do mês: outubro 2007

Pitbull: de quem é a culpa?

Nesta semana participei de uma polêmica envolvendo os cães da raça Pitbull, que são mais conhecidos pelos ataques às pessoas, que vêm ficando mais freqüentes de uns tempos para cá.

De um lado, ambientalistas que afirmam que não existe nenhum animal ruim e que a culpa são dos donos dos cachorros, que treinam seus animais para participar de rinhas. Do outro lado pessoas que se dizem “entendidas” dizendo que a raça foi criada para o ataque e que os cães têm predisposição genética para ser “ruins”.

Desconheço o fato dos cientistas terem encontrado o gene da maldade e se encontraram tenho severas dúvidas sobre a capacidade de manipular esses genes em cachorros e conferir aos pitbulls altas doses desses genes, já que o animal é muito bravo.

Gostaria de propor uma nova teoria sobre a “maldade” desse animal:

– Geralmente vemos que os lugares onde ocorrem os ataques são periferias, onde moram grande parte da população desprovida de recursos financeiros, tendo casas pequenas e quintais inadequados para a criação do pitbul (quando ele não fica em “apartamentos”);

– Os cães da raça pitbull são fortes, gastam muita energia. Se gastam muita energia, precisam comer muito e estar sempre bem alimentados.

– No entanto, essas pessoas que os criam mal conseguem se alimentar, que dirá de seus animais de estimação. E olha que essas pessoas desprovidas de recursos financeiros geralmente tem mais de um animal de estimação. São destes que geralmente compram um terreno de posse e “chutam” dois ou três vira-latas lá pra dentro para garantir a “segurança” de seu “patrimônio”.

– É óbvio que esses animais, famintos, se tornam violentos. Mas eles não atacam para se alimentar, pois não vejo relatos de que o pitbul comeu sua vítima. Então qual é sua motivação?

Se fossemos um país sério certamente encontraríamos uma solução, mas em se tratando de Brasil… 

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Uma vez chato, sempre chato.

Todo mundo conhece um chato, seja no trabalho, no seu prédio, no bairro, etc. Mas quando esse chato é verdadeiramente conhecido por todos, e muitas vezes “ovacionado” por muitos, a coisa fica muito chata mesmo.

Esse chato que todos conhecem, utiliza da televisão para irritar milhares de telespectadores, e a muitos anos isso. Porque ele continua na TV? Porque ele é brasileiro, e brasileiro gosta do mal feito, prefere inclusive.

No jogo de estréia do Romário como técnico do Vasco, o chato (mais conhecido como Galvão Bueno) estava narrando outro jogo, do São Paulo, mas ficou fazendo comentários sobre o jogo no Rio.

Chegaram ao cúmulo de mostrar cenas de Romário se aquecendo e dizia:”olha que cena inusitada, o técnico do Vasco se aquecendo para entrar em campo”. Ou diálogos do tipo: “Ô professor, quem sai?” “Sai você parceiro, e eu entro”!

Foi triste assistir aquele jogo, uma das poucas coisas que ainda me fazem ligar a TV.

Este Galvão Bueno é um grande imbecil e merece a “ovação” que recebe em todos os lugares onde vai. Um colega palmeirense contou-me que há muito tempo atrás (prova de que nós agüentamos esse chato tempo de mais para o meu gosto) ele precisou de escolta policial para sair do Parque Antarctica (estádio do Palmeiras) após um jogo onde havia trabalhado.

Ainda bem que F-1 agora só o ano que vem. Mas ainda temos 2 jogos da seleção brasileira para aturar esse infeliz. Mas para aprofundar melhor a questão do porque ele ainda é uma unanimidade nacional, faço um paralelo com o Faustão, que já está uns 20 anos na televisão brasileira. Mas quando você questiona assim: “Você viu tal coisa no Faustão?” A pessoa, com a cara mais deslavada do mundo responde: “Eu não assisto Faustão!”.

E isso é a grande maioria do público brasileiro. Pode encomendar uma pesquisa de opinião (mas não do Ibope) que você vai ver. Ninguém assiste os programas de televisão. Então, como é que eles se mantém no ar por tanto tempo?

Além de medíocres, somos mentirosos!

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Meio barro, meio tijolo

Em mais um episódio da série “Apanhado Geral da Situação”, vamos às notícias que “abalaram” o Cotidiano Nacional neste fim de semana:

– O lançamento do livro do charlatão Edir Macedo foi um sucesso, segundo seus asseclas (jornalistas da Record). A impressão de 700.000 cópias indica que haverá 700.000 imbecis com dinheiro a menos no bolso.

– O pior foi escutar comentários favoráveis de escritores como Fernando Moraes e Ruy Castro. Na certeza receberam “algum” para dar aqueles depoimentos. Lamentável!

– Essa disseminação de livros deste tipo e entre outros que não preciso citar aqui me deixam tranqüilo quanto a uma situação. Caso ocorra, em pouco tempo, uma nova era do gelo, haverá muito material para ser queimado em fogueiras e lareiras, garantindo assim um pouco mais de calor. E àqueles que sobreviverem, certamente não sentirão faltas dos exemplares e estarão livres destas pragas.

– A nova TV do bispo de araque já vai mal das pernas. Ontem ficou vários minutos fora do ar, sem nenhuma explicação. Sem falar nas inúmeras repetições de programas e entrevistas. Esperar o que desse tipo de gente?

– O esporte foi o grande destaque desse final de semana. No GP Brasil de F-1, assisti com muita satisfação o pagamento pelo ano inteiro de sacanagens feitas pela McLaren. Só de falar da multa e da perda dos pontos por causa da espionagem já dá pra saber o nível. Depois, a empáfia do piloto inglês Lewis Hamilton acabou na primeira curva do autódromo. A carinha dele de vergonha no final da prova também foi impagável.

– Parabéns a Ferrari que conseguiu mais uma vez fazer um jogo de equipe e dar o título, que era aparentemente impossível de se conseguir, ao finlandês Mika Häkkinen, com a ajuda fundamental do Massa, pois o carro dele estava “sobrando” e poderia tranquilamente ter disparado na frente.

– O pódio estava repleto de autoridades, entre elas o governador José Serra e o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, que foram de trem, descendo na nova estação Autódromo (que fica a 600m do autódromo) para incentivar o paulistano a utilizar o transporte público. Tenho que ressaltar que a linha que faz esse trajeto (Linha C – Osasco/Jurubatuba) é uma das mais organizadas e com estações e trens novas. Mas ainda tem muito que melhorar.

– O futebol foi uma festa, com quase 300.000 pessoas comparecendo aos estádios (segundo informações das redes de TV), vendo um show de gols. Destaque para as 60.000 que foram ao Morumbi e as quase 74.000 pessoas (64.000 pagantes) que foram ao Maracanã. Todos comemoraram as vitórias de seus respectivos times, São Paulo e Flamengo.

– Saindo um pouco desse assunto do futebol, de desagrada alguns, provavelmente por causa das mazelas por que passam seus times, vamos falar um pouco de história. Esse ano é o aniversário de 90 anos da revolução russa. Apenas para resgatar aquele assunto levantando em “Meu lado socialista“, e tentar entender porque alguns a consideram a maior revolução já ocorrida em toda a história. Como disse antes, pelo pouco que li acabei ficando com a impressão de que os revolucionários eram muito parecidos com os opressores da época, dada a opressão que passaram a exercer.

– O problema é que para saber exatamente o que e como aconteceu, só estando lá ou conversando com alguém da época. Mas dada à distância dos acontecimentos, todos devem estar enterrados. Outra solução seria a leitura de livros de autores pró e contra a revolução. Uma vez, ao estudar sobre as Alemanhas (Ocidental e Oriental), tive a oportunidade de ter os dois pontos de vista e considero que o autor que falava a favor dos Orientais soube “vender melhor seu peixe”.

– O primeiro livro que lerei sobre a revolução russa será o de Marc Ferro, que é autor de várias obras e filmes sobre história hodierna. Ao fim vou tentar marcar minha impressão sobre esses aspectos e dependendo da postura de Ferro, procurar outro autor, como Trotsky, que escreveu sobre o assunto e foi participante ativo da revolução. Até lá! 

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Em que mundo vive este senhor?

Eu já conheci muitas pessoas deprimentes e às vezes até eu mesmo sou assim, mas ninguém supera o Galvão Bueno. Vou ser curto e grosso porque me recuso a ceder meu precioso tempo falando de uma pessoa tão triste quanto ele.

No primeiro jogo do Brasil ele ficou convocando os torcedores para comparecer ao maracanã no meio de semana para que ele chamou de “o jogo da família”. Pediu que as pessoas comparecessem ao estádio e que convivesse da melhor maneira possível, tanto que deveriam ir as famílias, levando seus filhos, etc.

Até ai tudo bem. Quer dizer, tudo bem nada! Ter que pedir para as pessoas se comportarem num espetáculo esportivo é o cúmulo do subdesenvolvimento e da miserabilidade.

Mas até passa! O jogo aconteceu, foi fraco, mas o Brasil venceu, e venceu bem, o estádio estava lotado e foi mesmo uma festa. Só mesmo quem já assistiu a um jogo de futebol num estádio cheio é que consegue ter a exata dimensão desta emoção.

O problema mesmo foi a fala desse senhor ao final. Disse que foi tudo perfeito no “jogo das famílias”. Ninguém brigou, o Brasil ganhou, o estádio estava lindo, a polícia não precisou agredir ninguém e outras frases de efeito do tipo.

Esse senhor só esqueceu de mencionar o fato da forma como ele é e foi “ovacionado” pela torcida, como ocorre sempre nos estádios onde percebem a sua presença. Ele pensa que ninguém ouve os “elogios” a ele dirigidos? Onde este senhor estava durante o dia quando a polícia atirou para tudo quanto foi lado na favela da Coréia deixando um saldo de 12 mortos, entre eles uma criança de 4 anos? Talvez por isso a polícia não fez nada no maracanã, pois já havia gastado sua “cota”. Que dia de família terá esta que perdeu o garoto de 4 anos?

 Em que planeta vive este senhor?

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O horror carioca

Já faz tempo que não assisto TV, pois vejo que há pouco a acrescentar, e não tenho nenhum receio de ficar sem assunto, mesmo porque não gosto de conversar, principalmente sobre assuntos que não leva nada a lugar nenhum.

Ontem decidi esperar o jornal da noite para ver como havia sido o jogo do Brasil, pois peguei o finalzinho do jogo. Só vi um drible e três chutes. Todos resultaram em gols.

Mas antes disso tive que assistir cenas lamentáveis que ocorreram na “guerra” que a Polícia carioca trava com os traficantes.

Corpos no chão foi o de menos. A cena que não sai da minha cabeça foi a de dois indivíduos (seriam bandidos? Poderíamos chamá-los de cidadãos?) descendo o morro, rolando praticamente, e o helicóptero da Polícia numa perseguição implacável, desproporcional eu diria, com dois policiais (seriam policiais? Poderíamos chamá-los de cidadãos?) atirando nos indivíduos. As imagens são chocantes, porque você pôde ver inclusive as balas atingindo o solo (dá para ver a poeira levantando, na verdade).

No final, a apresentadora do jornal informa que ambos foram mortos. Se tinham a cena, tiveram o bom senso de não colocá-la no ar.

Talvez o pior sentimento é ver as pessoas vivas, ativas, e depois saber que estão mortas. Ver morto é uma coisa; ver vivo e depois morto é chocante. Mesmo sabendo que bandido bom é bandido morto, a vida é muito maior que nossas opções pessoais.

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Comoção nacional não salva vidas

Depois dos acidentes da Gol em setembro de 2006 e da Tam em julho de 2007 vimos muita atividade no sentido de encontrarem soluções para a tão falada crise aérea. Talvez esteja enganado, mas de concreto mesmo nada foi feito e um próximo acidente não é descartado.

O interessante dos dois casos foi a grande repercussão e a comoção nacional que tomou conta do país nas duas ocasiões. No entanto, creio que essa comoção e a dor das famílias não foram suficientes para que o governo tomasse providências. Mas o que o governo poderia fazer, se o interesse financeiro das empresas aéreas muitas vezes supera até mesmo o respeito à vida humana?

Um caso mais recente de comoção foi o acidente da última terça-feira em Santa Catarina que vitimou 27 pessoas. Um duplo acidente, na verdade. Nem tanto pela quantidade de mortos, mas pela fatalidade que vitimou entre os 27 um rapaz que sobreviveu ao primeiro acidente, deu até entrevista contando como tinha sido o desastre e logo em seguida morreu no segundo, quando um caminhão, em princípio desgovernado, arrastou carros e pessoas.

Gostaria de fazer algumas observações e vocês, caríssimos leitores, reflitam sobre cada coisa:

– as estradas federais possuem placas de propaganda do governo dizendo que ali há investimentos! Mentira!

– o governo privatizou inúmeros trechos de rodovias que agora terão pedágios que dará às empresas “rios de dinheiro”. A qualidade melhora, sem dúvida, e o melhor exemplo disso é a BR-116 que liga a capital paulista à cidade maravilhosa. Certamente que alguém em Brasília levou dinheiro por estas privatizações.

– depois que aconteceu um acidente destes é que as autoridades pensam em fazer alguma coisa. A Polícia Rodoviária Federal de Santa Catarina solicitou ao DNIT melhorias na estrada. Precisa solicitar?

– os caminhoneiros fazem jornadas desumanas nas estradas buscando cumprir prazos das empresas contratantes, usando muitas vezes drogas para “agüentar o tranco”. A pressa das empresas se dá porque elas precisam lucrar muito para poder pagar a enorme carga tributária que pesa sobre elas para que sobre alguma coisa para os patrões. E o governo, faz o que com os impostos pagos pelas empresas e por todos os trabalhadores. Fazem propagandas enganosas dizendo que há investimentos em infra-estrutura. Mentira! O dinheiro vai para o bolso de algum salafrário, integrante da corja que comanda o país.

Junte-se a tudo isso o número absurdo de mortes ocorridas no feriadão, seja por problemas nas estradas ou mesmo por conta da nossa mais que conhecida falta de educação. Não é falta de educação no trânsito não, é falta de educação, pura e simples.

Não é difícil imaginar que no acidente de Santa Catarina o motorista da carreta, vendo o congestionamento e se achando muito esperto, foi pela contramão (já que a rodovia não é duplicada) procurando sair na frente de todo mundo e ganhar tempo, além de “ser mais esperto que todos”. Na certa pisou fundo no acelerador e acertou tantos carros quanto possíveis.

Eram 7 mortos até então. O motorista alegou que perdeu o freio. A fila formada pela interrrupção do tráfego já contava com mais de 2 quilômetros. Será que não era possível fazer nada? Pelo menos não foi possível e mais 20 vidas foram ceifadas, inclusive a de um garoto de 4 anos.

Enquanto isso, nós ficamos comovidos, o governo faz propaganda, as empresas abusam do poder econômico e as famílias choram seus mortos. Precisa perguntar até quando?

“Nunca neste país…”.

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Meu lado socialista

Ontem participei, em lugar incerto e não sabido, de um evento em comemoração aos 90 anos da Revolução Russa.

Confesso que me senti um peixe fora d´água. Mas isso é normal, pois geralmente me sinto um peixe fora d´água nos limites do planeta.

Sempre fui bastante reservado na questão de luta pelos direitos, participação sindical, manifestações, etc., e talvez mesmo por isso fiquei bastante deslocado durante o ato. A presença de inúmeras classes sociais, politico-partidárias e estudantis mostra o engajamento das referidas classes em suas respectivas lutas.

Não pude ficar muito tempo, pois tinha outros compromissos e aproveitei muito pouco, mas prometi que participaria mais ou mesmo discutiria mais sobre o assunto.

À noite, em casa, procurei saber mais sobre a Revolução Russa que os palestrantes consideram um dos atos mais importantes e determinantes para o crescimento do movimento proletariado, mas a primeira impressão é que não foi nada além de uma revolta da classe trabalhadora contra os opressores. Sim, seria uma bela revolução se aqueles que eram oprimidos não passassem a ser os opressores.

É óbvio que esta análise é primária, pois não fui a fundo na questão e inicialmente vou me contentar com a “primeira impressão”. Mas como sou chato vou pesquisar mais sobre o assunto e quem sabe consigo ir mais longe com meus devaneios.

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