Todo mundo tem um dia daqueles…

Ontem, enquanto voltava para casa depois de mais um dia de trabalho e de estudo, fiquei imaginando algumas expressões usadas pelas pessoas, como por exemplo, “tem dias que não deveríamos se levantar da cama”. Então tentei imaginar como seria um dia desses.

Você acorda atrasado e descobre que vai perder seu ônibus. Procura relaxar e decidi usar uma alternativa de transporte público que sempre é usada para se chegar mais depressa ao trabalho. Apesar de seu país não ser um exemplo em transporte público, principalmente por conta do sucateamento do setor, em especial das ferrovias, o trem que você decidiu pegar funciona com certa regularidade. Mas ao chegar na estação onde deve ser feita uma baldeação, descobre que o trem parado na plataforma está quebrado. Enquanto isso, a plataforma lotou e as coisas não vão melhorar rapidamente.

Então você decidi voltar para o ônibus e se encaminha ao ponto. Será sua terceira condução, todas elas custando dinheiro. O que era para ganhar tempo, virou perda de tempo, pois você ainda caminhou por cerca de 10 minutos para chegar ao ponto mais próximo. Mas ninguém agüenta tanto azar. O ônibus vem logo e você já começa a imaginar que ainda poderá chegar no horário, mas o trânsito de uma grande cidade todos conhecem e você não vai chegar no horário no trabalho.

Chegando lá, encontra seus colegas com aquela cara de “faz tempo que você chegou agora?”. E olha que nem chegou a hora do almoço ainda.

O dia que era para ser um dia importante, com a quebra de alguns tabus, vai tornando-se um pesadelo, principalmente quando você, ao preencher formulários de concessão de benefícios, descobre que sua situação é pior do que você imaginava.

Curiosamente, o dia vai passando sem maiores percalços e o expediente chega ao fim. Antes de ir embora, você ainda tem uma atividade e lá as coisas também não são fáceis. Num piscar de olhos você se sente um lixo, principalmente por causa da vida mediocre que você leva. Ah, mas nessa hora você até imagina, sonha, vislumbra, como as coisas poderiam ser diferentes. Só que a sua esperança é tão “rala” que sua única opção é esperar algo cair do céu. Mas até chuva, nessa época é difícil. 

Mas ainda não acabou. Agora você tem o segundo tempo e vai para a faculdade. Chegando lá enfrenta uma prova e acredita ter se saído bem, assim como acreditou que havia se saído bem numa outra disciplina, ministrada no mesmo dia. Mas basta a professora entregar as notas para você descobrir a verdade. Você “viajou na maionese”, falou, falou e não disse nada. Resultado: lamentável. Seu único consolo é que o dia está terminando. No caminho de volta para casa, curiosamente o banco ao seu lado do ônibus é o último a ser ocupado, mesmo que antes disso ocorrer já tenham pessoas em pé. Parece que o mundo está contra você. E só agora, quase perto da meia-noite, é que você percebe que o dia não foi lá essas coisas.

Chegando em casa, encontra a família e você esquece de tudo, porque curtir a família é o que realmente importa, principalmente depois de um dia desses. Mas logo eles dormem e você está sozinho de novo. Decide tomar um banho, para “esfriar a cabeça”. Debaixo do chuveiro, você se lembra que hoje era dia do seu aniversário de serviço. Vários anos já de dedicação, e o dia que deveria ser de comemoração, passou em branco. Talvez você nem se importe com isso, mas o que importa é que você se esqueceu. Como único remédio, você vai para a cama, encosta sua cabeça no travesseiro e solta, mesmo em pensamento, a última pérola do dia: “Amanhã é outro dia!”.

Será possível alguém ter um dia assim? Difícil de acreditar pois mesmo que uma pessoa tivesse um dia assim ela teria que ter coragem para “botar isso no papel”, pois do contrário jamais ficaríamos sabendo de tamanho infortúnio.

E no fim penso que a frase “tem dias que não deveríamos se levantar da cama” é mais folclórica do que real, porque se você não saísse para a rua não teria um dia difícil para considerar ter sido melhor ficar na cama.

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Arquivado em Cotidiano Nacional

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