Comoção nacional não salva vidas

Depois dos acidentes da Gol em setembro de 2006 e da Tam em julho de 2007 vimos muita atividade no sentido de encontrarem soluções para a tão falada crise aérea. Talvez esteja enganado, mas de concreto mesmo nada foi feito e um próximo acidente não é descartado.

O interessante dos dois casos foi a grande repercussão e a comoção nacional que tomou conta do país nas duas ocasiões. No entanto, creio que essa comoção e a dor das famílias não foram suficientes para que o governo tomasse providências. Mas o que o governo poderia fazer, se o interesse financeiro das empresas aéreas muitas vezes supera até mesmo o respeito à vida humana?

Um caso mais recente de comoção foi o acidente da última terça-feira em Santa Catarina que vitimou 27 pessoas. Um duplo acidente, na verdade. Nem tanto pela quantidade de mortos, mas pela fatalidade que vitimou entre os 27 um rapaz que sobreviveu ao primeiro acidente, deu até entrevista contando como tinha sido o desastre e logo em seguida morreu no segundo, quando um caminhão, em princípio desgovernado, arrastou carros e pessoas.

Gostaria de fazer algumas observações e vocês, caríssimos leitores, reflitam sobre cada coisa:

– as estradas federais possuem placas de propaganda do governo dizendo que ali há investimentos! Mentira!

– o governo privatizou inúmeros trechos de rodovias que agora terão pedágios que dará às empresas “rios de dinheiro”. A qualidade melhora, sem dúvida, e o melhor exemplo disso é a BR-116 que liga a capital paulista à cidade maravilhosa. Certamente que alguém em Brasília levou dinheiro por estas privatizações.

– depois que aconteceu um acidente destes é que as autoridades pensam em fazer alguma coisa. A Polícia Rodoviária Federal de Santa Catarina solicitou ao DNIT melhorias na estrada. Precisa solicitar?

– os caminhoneiros fazem jornadas desumanas nas estradas buscando cumprir prazos das empresas contratantes, usando muitas vezes drogas para “agüentar o tranco”. A pressa das empresas se dá porque elas precisam lucrar muito para poder pagar a enorme carga tributária que pesa sobre elas para que sobre alguma coisa para os patrões. E o governo, faz o que com os impostos pagos pelas empresas e por todos os trabalhadores. Fazem propagandas enganosas dizendo que há investimentos em infra-estrutura. Mentira! O dinheiro vai para o bolso de algum salafrário, integrante da corja que comanda o país.

Junte-se a tudo isso o número absurdo de mortes ocorridas no feriadão, seja por problemas nas estradas ou mesmo por conta da nossa mais que conhecida falta de educação. Não é falta de educação no trânsito não, é falta de educação, pura e simples.

Não é difícil imaginar que no acidente de Santa Catarina o motorista da carreta, vendo o congestionamento e se achando muito esperto, foi pela contramão (já que a rodovia não é duplicada) procurando sair na frente de todo mundo e ganhar tempo, além de “ser mais esperto que todos”. Na certa pisou fundo no acelerador e acertou tantos carros quanto possíveis.

Eram 7 mortos até então. O motorista alegou que perdeu o freio. A fila formada pela interrrupção do tráfego já contava com mais de 2 quilômetros. Será que não era possível fazer nada? Pelo menos não foi possível e mais 20 vidas foram ceifadas, inclusive a de um garoto de 4 anos.

Enquanto isso, nós ficamos comovidos, o governo faz propaganda, as empresas abusam do poder econômico e as famílias choram seus mortos. Precisa perguntar até quando?

“Nunca neste país…”.

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Arquivado em Cotidiano Nacional

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