A Regra do “Qualquer Um”

Meus anos de mesário me mostraram uma coisa: quando se trata em votarmos para o legislativo, a regra geral é que qualquer um vale.

Continuando a série de textos sobre as eleições, forma de votação, candidatos e afins, hoje vamos tentar mostrar os motivos que levam as pessoas a, literalmente, acharem seus candidatos na sarjeta.

Segundo a teoria da separação de poderes, o legislativo é um órgão da estrutura responsável pela função de escrever as regras e normas pela qual as pessoas, setores, empresas e todo o restante deverão cumprir. Imagine se na sua casa houvesse uma pessoa que escrevesse e guardasse todas as práticas e costumes da família, essa pessoa é o legislador.

Outra função dessa turma é o de fiscalizar o trabalho do executivo, presidente, governadores e prefeitos, como também os ministros e os secretários. O que não é pouca coisa, diga-se de passagem.

Então porque as pessoas não levam esse voto à sério?

O artigo publicado ontem no Vivendocidade mostra que a quantidade de candidatos inscritos, em relação ao tempo destinado a cada um, levando-se em conta o tamanho da coligação é fator determinante para que o fulano mal tenha tempo para dizer seu nome e número.

Outro fator, que também citei lá e que vamos ampliar aqui é a questão da produção por trás dos programas.

É nítido que a turma dos mais ricos faz programas cheios de cores, música, apelo emocional e tudo o mais. Inclusive minha pesquisa de pós-graduação foi sobre essa influência, sustentada no espetáculo, no culto ao líder e na massificação dos meios de comunicação.

De qualquer forma, essas superproduções ficam no imaginário das pessoas, o jogo de cores, os cortes de cena, a sequência dos programas… Tudo é feito para pescar nossa atenção.

Só isso já é um fator para aquele candidato de partido menor ficar esquecido num canto qualquer, e é justamente esse que corre a porta das escolas na madrugada do dia da eleição sujando a cidade de papel.

Outro fator que devemos levar em conta é o caráter universal das candidaturas. Pela nossa lei, basta ter nascido aqui, ter idade mínima e estar inscrito em qualquer partido. Isso contribui com que pessoas totalmente incapacitadas tentem uma vaga no parlamento, bandidos que querem apenas lavar dinheiro e genéricos de todos os tipos.

Como não temos clara a ideia de que a coisa pública é nossa (na verdade, entendemos que se é público, pertence a ninguém), há um verdadeiro abismo entre nossa realidade, com a realidade dos assuntos da cidade, do estado, e finalmente a nação.

Cansei de ver pessoas na urna que só querem votar para presidente, e colocar qualquer número, apertar qualquer botão até encontrar a tela certa.

Ambas as eleições serem no mesmo dia contribuem para isso, ou votar em seis candidatos de uma só vez pode confundir as pessoas.

Particularmente, acho que a transição do império para república ainda não foi sacramentada no inconsciente coletivo das pessoas. Ideia que também compartilha o imortal José Murilo de Carvalho, mas paro por aqui.

Ou continuo numa próxima oportunidade. Quem sabe?

Carlos Filho, 29 anos, Administrador de Empresas e Editor do Vivendocidade, escreve esporadicamente para o Cotidiano Nacional
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