Complexo de Coreia do Norte

Quando leio novamente o documento “Jogos Olímpicos Rio 2016 – o futuro é agora” vários sentimentos percorrem minha mente, até que causam grande confusão.

O primeiro sentimento ganhou o título desse post: Complexo de Coreia do Norte. Penso que deveríamos fechar o país aos estrangeiros e controlar as comunicações, como já foi aqui no passado. Deveríamos fechar as embaixadas e mandar os diplomatas embora. As revelações do WikiLeaks levam a crer que as relações entre países nada mais é do que colocar alguém para dormir no quarto de hospedes. Quando você não estiver olhando, ele pode vasculhar seu lixo, ouvir suas chamadas telefonicas, bisbilhotar seu computador, etc.

É uma forma de espionagem regulamentada. Você vem de outro país, tem acesso a coisas que muitos nativos não tem, e por fim pode difamar o país onde você está para os seus patrões. Nada acontece aqui que eles não fiquem sabendo.

E é ai que entra um pouco de admiração e indignação ao mesmo tempo pelo trabalho dessas pessoas. Sempre ouvi falar que a educação também é um problema nos EUA e que os alunos não são bem preparados e que mal sabem distinguir Buenos Aires de Brasília. Mas como em todo lugar, existem aqueles que fazem a diferença. As universidades americanas são as melhores do mundo. E alguns dos caras que trabalham pro ai, na certa são ou foram os melhores alunos destas universidades.

O relato do relatório acima citado é minucioso, cheio de detalhes e com análises políticas que muito brasileiro tem grande dificuldade em perceber ou mesmo entender, depois que explicamos todos os meandros das articulações políticas existentes por ai. Fora isso, há trechos que desrespeito ou pelo menos menosprezo pelo Brasil e pelos brasileiros.

Acompanhe mais alguns trechos do relato da véspera de natal de 2009:

“Sendo o país o primeiro sul americano escolhido para sediar os jogos olímpicos foi visto como prova que o mundo (ou pelo menos o COI) reconheceu a primazia brasileira no continente e liderança regional”

“A grande interrogação sobre a escolha do Rio tem sido a situação da segurança, trazida a tona em 17 de outubro (2009) com a derrubada de um helicóptero da policia por traficantes”

“Alvarez (Vera) foi tão longe a ponto de admitir que os terroristas poderiam ter como alvo o Brasil, por causa das Olimpíadas, uma declaração altamente incomum de um governo que, oficialmente, acredita que o terrorismo no Brasil não exista”.

“De fato, a realidade é que grande parte do planejamento e da preparação da candidatura da cidade foi feita pelos governos estadual e municipal, mas que a vinda de Lula teria  ajudado por conta de seu prestígio internacional”

“Embora a implementação do PAC tem sido extremamente lenta, o programa tem uma imagem positiva entre os brasileiros e colocando Roussef na liderança.”

“O risco é que o governo brasileiro pode optar por descansar sobre os louros e não começar o trabalho de planejamento dos Jogos”

Estes trechos e muitos outros que vou poupar por enquanto o leitor – como o fato de eles tentarem contato com o Ministério dos Esportes e este ter recusado receber os americanos –  acabam por deixar aquele misto de admiração e indignação. Devo admitir que é um trabalho bastante atraente e devo entender ainda porque os EUA não admitem traição ou espionagem. Olha o quanto eles tem para mostrar quando o assunto é espionagem.

Os resultados das revelações de Julian Assange ainda são imensuráveis, mas o mundo e as séries americanas nunca mais serão as mesmas.

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