Arquivo do mês: maio 2011

F-1: onde tem circo, tem palhaços.

Juro por tudo que é mais sagrado que o Grande Prêmio de Mônaco foi o último que eu assisti pela TV, porque não sou palhaço.

E antes que os palhaços se ofendam, estou afirmando que o termo usado aqui é o mais pejorativo possível, então nada de palhaçada e dane-se o politicamente correto.

Comandado pelo palhação-mor Galvão Bueno, assistimos a uma corrida até bastante emocionante, tirando a narração e os comentários, obviamente. Até que aconteceu mais um acidente e a prova foi paralisada, faltando pouco mais de 6 voltas. Tivemos que aguentar toda aquela conversa fiada do Galvão sobre as emocionantes últimas voltas. E eis que surge a regra do jogo, que seria clara, caso o Arnaldo estivesse por ali.

E o que não poderia, trocar pneu, bico do carro e até quase de carro, foi feito. Então as emocionantes 6 últimas voltas foram para o saco, literalmente.

A Fórmula 1 há muito tempo deixou de ser interessante. E eu digo há muito tempo mesmo, porque não me encantei com Senna ou Schumacker, que dependia mais de seus carros, do que Prost e Piquet – e no caso desse último, era o próprio mecânico de seu carro – que dependiam de seus braços.

Hoje temos um tal de Lewis Hamilton, que na minha opinião só está para compor a cota de negros na F-1. É um péssimo piloto, sabe-se lá como se tornou campeão, e quando abre a boca então, só não é um perfeito imbecil porque ninguém é perfeito. E agora descobriu que por ser negro, acha que o mundo está contra ele. Que culpa eu tenho se ele é incompetente? Ele foi o responsável por quase todos os acidentes que aconteceram na corrida de ontem.

E vendo as notícias da F-1 para saber se ele havia sido desclassificado, porque só pelo acidente do Felipe Massa ele já merecia bandeira preta, descubro que ele disse que essas coisas estão acontecendo com ele “porque ele é negro”. Além de tudo, é preconceituoso e cínico.

Creio que desta vez eles passaram do limite (mais um vez) e torço para que percam audiência, dia após dia, até que fiquem menos atraente que um jogo de bocha (com todo respeito aos jogadores de bocha).

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A era Wi-Fi trouxe uma infinidade de… cabos

Hoje falar em Wi-Fi é estar antenado com o que há de mais moderno nas comunicações. Celulares e notebook já possuem o dispositivo, como item de série e podemos estar conectados em qualquer lugar que tenha algum tipo de sinal. Até mesmo no carro, no trânsito podemos estar conectado à internet e não perdendo nenhum tipo de notícia, se assim o quiser.

Imagem: UNIFRA

Mas ainda não temos a energia sendo transmitida sem fio, não é mesmo? E por conta desse “atraso tecnológico”, comecei a andar com uma infinidade de cabos na minha valise. São eles: carregador do celular, carregador do smartphone, carregador do netbook e cabo de transferência da máquina fotográfica. E andava também com o carregador veicular quando em um rompante de inteligência fora do comum, passei a deixá-lo no veículo.

Algumas modernidades não podem ultrapassar as leis da física, e portanto tenho que me acostumar com os cabos, querendo ou não.

Por essas e outras é que devemos nos preocupar com o colapso energético e não com o colapso da internet, conforme escrevi recentemente no Vivendocidade.

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Domingo é dia de ficar em casa

Durante a semana inteira o trabalhador de São Paulo ou quem pelo menos quer dar uma volta pela cidade pega ônibus lotado, metrô ou trem lotados e ruas lotadas, seja para quem vai a pé ou mesmo de carro.

O sistema de transporte de São Paulo é muito ruim, mas muito ruim mesmo. O menos pior é o Metrô, que vem apresentando uma piora no atendimento com o passar do tempo. Isso sem falar do valor das tarifas, que é muito alto para o serviço prestado. A utilização do bilhete único minimiza um pouco esse problema.

Mas pelo menos quando chega o final de semana o cidadão pode aproveitar tudo que a cidade tem a oferecer, como teatro, cinemas, shoppings e parques, correto? ERRADO. No final de semana o cidadão não consegue utilizar o transporte público, porque a frota é simplesmente tirada das ruas. 30% aos sábados e 50% aos domingos. Além de lotado, o transporte nos finais de semana fica também demorado. Quem sabe bem disso são aqueles que precisam trabalhar aos sábados ou aos domingos. Relatos de 40 minutos de espera nos pontos é bastante reconfortante para quem tem obrigações.

Certamente a desculpa utilizada, principalmente pelos donos das empresas de ônibus, é que não compensa colocar toda a frota nos finais de semana. Mas quem falou que eles são obrigados a prestar o serviço? Se não podem dar conta do serviço, entreguem-no para outro que possa fazer e não se preocupar somente com o ganho, mas com uma excelente prestação de serviço. Mesmo porque eles já estão ganhando porque certamente venceram a licitação com valores superfaturados.

E o que falar do governo do estado e da prefeitura nesse caso? Melhor nem falar nada porque são simplesmente inoperantes. Não sei nem porque o Alckmin quis ser governador, porque parece que não temos governo e ele se mostra bastante desinteressado. E “El Loco” Kassab também não merece nem uma linha no Cotidiano Nacional.

Diante do exposto, só posso afirmar que Domingo é dia de ficar em casa.

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Quem teme a polícia no campus da USP?

Essa pergunta foi feita por um colega de trabalho enquanto tomávamos café de manhã e comentávamos sobre o assassinato do aluno da FEA Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos.

As notícias sobre o assassinato estão nos principais jornais paulistas e tenho certeza que é lá que o leitor deve procurar se informar sobre o caso. Nós vamos cuidar de falar da polícia no campus.

Sempre quando há manifestação dos alunos e principalmente depois do “cacete” que eles tomaram em um entardecer do dia 9 de junho de 2009, o mote “Fora Polícia do Campus” é usado pela ala podre dos estudantes da maior universidade do país, a maioria de uma das mais tradicionais unidades da Universidade. E não só isso, esse inclusive foi o mote usado na campanha de uma aluna candidata a deputada federal pelo PSOL em São Paulo. Ela ficava 10 ou 15 segundos no ar e falava: “Fora polícia do campus”. Alcançou 745 votos no total, míseros 0,01%. Esperamos que tenha aproveitado a chance para enterrar sua carreira (sic) política.

Então, quem teme a polícia no campus da USP? São meia dúzia de alunos fanfarrões que demoram 10 ou 12 anos para terminar o seu curso de 5 anos, e estão mais interessados em usar drogas sem serem incomodados e beber cerveja, que é proibido no campus, mas que é bem fácil comprá-las. Se n~çao cuidamos das pequenas coisas, como vamos garantir a segurança das mais de 100.000 pessoas que circulam pelo campus no Butantã diariamente?

Ainda assim a Reitoria fala que vai discutir com alunos a questão da segurança? Não tem nada para discutir com esse tipo de gente. Deveriam é colocar uma viatura em cada rotatória do campus. Assim poderíamos evitar um pouco da violência bem como os exageros de alunos e funcionários que não perdem uma oportunidade para lesar o erário público. Destroem o patrimônio e depois veem gritar que querem uma universidade que atendam os anseios da Sociedade. Vamos lembrar que a Sociedade também não que sustentar alunos descompromissados com o curso que escolhei e que enquanto esses demoram anos para terminar, outros ficam sem oportunidade de ingressar na Universidade a espera dos “doutores” terminarem seus cursos feito nas coxas.

Infelizmente em nosso país, algo que deve ser cultural, como certamente usaria de desculpa o ex-presidente Lula, esperamos sempre alguma coisa de ruim acontecer para então pensarmos em uma solução. Não bastasse isso, a solução geralmente é insuficiente ou insatisfatória. Enquanto isso famílias vão sendo despedaçadas, sem dó nem piedade.

Amanhã continuarei minha rotina pela Universidade e não espero outra coisa a não ser um batalhão de policiais patrulhando o campus e pondo na linha vagabundos que vão para a USP passar o dia vadiando, sejam eles alunos ou não.

Não tem cabimento discutir com a comunidade a presença ou não presença da polícia. Isso não deveria nem estar aberto para debate e a Reitoria deveria agir com rapidez e urgência. É óbvio que os problemas vão continuar acontecendo, mas a sensação de segurança e o arrepio na coluna vertebral do bandido devem estar presentes, toda vez que olharmos para policiais desfilando pelo campus.

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Churrascão da gente diferenciada

Essa semana uma polêmica tomou conta da cidade de São Paulo depois que o governo do estado anunciou a desistência de construir uma estação de metrô no bairro de Higienópolis. A desistência teria sido motivada por um abaixo assinado com 1.500 ou 3.500 assinaturas do moradores da região. Declarações polêmicas teriam sido dadas, e depois desmentidas, como aquela que motivou o evento que dá nome a esse post. Uma moradora teria dito que não queria a estação ali para que não houvesse no bairro uma “gente diferenciada”.

E várias polêmicas surgiram, tanto a criação do churrascão através de um site de relacionamentos (para não escrever Facebook) quanto a pessoas que eram contra a manifestação dizendo que o bairro era de rico e que ricos não precisam de metrô.

Obviamente essas pessoas que consideraram errado a manifestação se esqueceram que onde tem um rico, existe muitos outros da “gente diferenciada” servindo esses ricos. São empregados domésticos, trabalhadores das lojas, mercados, farmácias e demais estabelecimentos da região, além de shopping center próximo, que seriam beneficiados pela implantação de uma estação ali. Não só ali, mas em diversos lugares desta grande cidade, que sofre com péssimas opções de transporte público. Os ônibus são sempre lotados e o metrô também já não consegue suprir a demanda, juntamente com os trens metropolitanos.

Se pensar como essas pessoas que foram contra o protesto, não deveremos ter estações de metrô próximo ao aeroporto, porque “gente diferenciada” não voa. Não teremos estações perto de estádio de futebol, porque “gente diferenciada” não tem dinheiro para comprar ingresso. Não teremos metrô próximos a museus porque “gente diferenciada” não tem cultura. E não teremos metrô também na periferia, porque lá só tem “gente diferenciada”.

O protesto foi legítimo e os moradores de Higienópolis e de outras regiões de São Paulo precisam aprender que agora a internet desempenha um papel muito diferente do que exercia anteriormente e o poder de mobilização, que vem sendo mostrado no oriente, foi demonstrado também aqui em São Paulo. E não adianta a mídia reduzir o número de participantes. Se tivesse metade do que a mídia contou, já teria sido válido. Mesmo não estando presente, tenho certeza que o evento teve um número muito superior ao relatado, e foi pacífico acima de tudo, legitimando-o.

Paris e Nova Iorque são duas das cidades mais caras e ricas do mundo. Em tese, de acordo com os moradores de Higienópolis, não seria necessário nenhuma estação metrô, visto que os “ricos” não precisam utilizar metrô e obviamente os ricos franceses e estadunidenses não iriam querer “gente diferenciada” espalhada em cada estação,por toda a cidade, não é mesmo?

Errado: Nova Iorque possui 468 estações e Paris 365 estações. São Paulo possui 62 estações sem contar com as da linha amarela, que possui atualmente 03 estações em funcionamento: Paulista, Faria Lima e Butantã. Mas se depender dos moradores de Higienópolis, São Paulo terá 01 estação a menos na sua pífia distribuição por uma das maiores cidades do mundo.

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O fim das terceirizações

Há pouco tempo não dava a mínima importância para a questão da terceirização no serviço público e achava que não deveria me preocupar com isso, principalmente porque o sindicato da minha classe trabalhadora era contrário a ela e eu sempre foi contra o que o sindicato é contra. Geralmente eu tenho razão.

Mas recentemente passei a abominar essa prática. Recentemente a Universidade de São Paulo passou um problema com uma empresa terceirizada, de limpeza, que teria falido (na verdade seus donos ficaram com o dinheiro, isso é óbvio) e não pagou o salário dos funcionários, sendo que esse reflexo acabou por atingir a USP, com a paralização do serviços nas Unidades, bloqueio do prédio da Reitoria e alguns outros inconvenientes.

Uma das formas adotadas de protesto pelos terceirizados foi espalhar lixo em uma das Unidades da USP. Eu abomino veemente o fato de essas pessoas ficarem sem seus salários depois de um mês de trabalho, mas abomino mais ainda as formas de protestos adotadas. Acho que devem e devemos sempre protestar, mas os “protestantes” sempre, na maioria das vezes, perdem a razão. E os terceirizados da limpeza da USP perderam a razão.

Ao que parece, a USP realizou os pagamentos destes funcionários (novamente, porque já havia repassado o dinheiro à empresa) e se não me engano pagou até as verbas rescisórias. Na verdade chegou um momento em que eu não via a hora de pagá-los, para que eles desaparecem da frente do prédio da Reitoria.

Acompanhei de perto tanto a contratação de uma nova empresa em caráter emergencial como a contratação de uma nova empresa para substituir a “massa falida”. Curiosamente acabou sendo a mesma empresa e é agora que quero justificar minha opinião.

Para o caráter emergencial, a empresa chegou a hora que quis, não trouxe nenhum equipamento de trabalho e o planejamento era simplesmente inexistente. Nos três dias em que trabalharam emergencialmente deram atenção aos banheiros femininos. Todos foram limpos e nenhum banheiro masculino foi limpo. Nenhum! Planejamento serve para todos os níveis de atividade. No último dia de prestação desse serviço eles simplesmente foram embora duas horas antes do término do expediente. E foram embora desafiando quando foram chamados a ficar até o tempo normal. Uma das funcionárias simplesmente disse: “eu vou embora assim mesmo”.

Pois é essa mesma empresa e esses mesmos funcionários que estarão servindo a USP pelo próximo ano e tenho certeza que o serviço prestado será de péssima qualidade. Porque tenho certeza? Porque está sendo de péssima qualidade. Podemos achar que o problema é da USP, pois temos que contratar a empresa de menor preço, mas existem N situações que devem ser avaliadas e só assim é que fechamos negócio com a empresa de menor preço.

Penso que a Universidade deveria rever essa questão da terceirização e retomar a contratação de servidores de nível básico. Eles serão melhor tratados e terão salários mais justos e sempre receberão em dia. E a USP tem potencial para “recolher” do mercado todos os bons servidores das empresas terceirizadas.

Desta forma, o dinheiro do contribuinte será melhor empregado e a USP terá uma sensível melhora na prestação de um serviço essencial, que vem sendo deixado de lado há muito tempo. E cabe lembrar que essa situação não é a primeira vez que acontece, então, porque vamos permanecer errando?

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