O fim das terceirizações

Há pouco tempo não dava a mínima importância para a questão da terceirização no serviço público e achava que não deveria me preocupar com isso, principalmente porque o sindicato da minha classe trabalhadora era contrário a ela e eu sempre foi contra o que o sindicato é contra. Geralmente eu tenho razão.

Mas recentemente passei a abominar essa prática. Recentemente a Universidade de São Paulo passou um problema com uma empresa terceirizada, de limpeza, que teria falido (na verdade seus donos ficaram com o dinheiro, isso é óbvio) e não pagou o salário dos funcionários, sendo que esse reflexo acabou por atingir a USP, com a paralização do serviços nas Unidades, bloqueio do prédio da Reitoria e alguns outros inconvenientes.

Uma das formas adotadas de protesto pelos terceirizados foi espalhar lixo em uma das Unidades da USP. Eu abomino veemente o fato de essas pessoas ficarem sem seus salários depois de um mês de trabalho, mas abomino mais ainda as formas de protestos adotadas. Acho que devem e devemos sempre protestar, mas os “protestantes” sempre, na maioria das vezes, perdem a razão. E os terceirizados da limpeza da USP perderam a razão.

Ao que parece, a USP realizou os pagamentos destes funcionários (novamente, porque já havia repassado o dinheiro à empresa) e se não me engano pagou até as verbas rescisórias. Na verdade chegou um momento em que eu não via a hora de pagá-los, para que eles desaparecem da frente do prédio da Reitoria.

Acompanhei de perto tanto a contratação de uma nova empresa em caráter emergencial como a contratação de uma nova empresa para substituir a “massa falida”. Curiosamente acabou sendo a mesma empresa e é agora que quero justificar minha opinião.

Para o caráter emergencial, a empresa chegou a hora que quis, não trouxe nenhum equipamento de trabalho e o planejamento era simplesmente inexistente. Nos três dias em que trabalharam emergencialmente deram atenção aos banheiros femininos. Todos foram limpos e nenhum banheiro masculino foi limpo. Nenhum! Planejamento serve para todos os níveis de atividade. No último dia de prestação desse serviço eles simplesmente foram embora duas horas antes do término do expediente. E foram embora desafiando quando foram chamados a ficar até o tempo normal. Uma das funcionárias simplesmente disse: “eu vou embora assim mesmo”.

Pois é essa mesma empresa e esses mesmos funcionários que estarão servindo a USP pelo próximo ano e tenho certeza que o serviço prestado será de péssima qualidade. Porque tenho certeza? Porque está sendo de péssima qualidade. Podemos achar que o problema é da USP, pois temos que contratar a empresa de menor preço, mas existem N situações que devem ser avaliadas e só assim é que fechamos negócio com a empresa de menor preço.

Penso que a Universidade deveria rever essa questão da terceirização e retomar a contratação de servidores de nível básico. Eles serão melhor tratados e terão salários mais justos e sempre receberão em dia. E a USP tem potencial para “recolher” do mercado todos os bons servidores das empresas terceirizadas.

Desta forma, o dinheiro do contribuinte será melhor empregado e a USP terá uma sensível melhora na prestação de um serviço essencial, que vem sendo deixado de lado há muito tempo. E cabe lembrar que essa situação não é a primeira vez que acontece, então, porque vamos permanecer errando?

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Arquivado em Cotidiano Nacional

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