Como escolher seu candidato para as eleições de 2012?

Mais um ano eleitoral, e nada melhor do que voltarmos o Cotidiano Nacional debatendo o teatro dos horrores em que se tornou a campanha de rádio e tv, principalmente para os cargos de vereador país afora.

Devido ao grande número de candidatos, com destaque para oportunistas e aventureiros de ocasião, é humanamente impossível que o eleitor saiba qual é a proposta de trabalho do fulano, muito menos de onde saíram tanta gente interessada em prestar um serviço público, voluntário e gratuito. Só que não.

Convém destacar dois casos de sucesso, para o bom entendimento do nosso raciocínio:

 

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Nosso país passa por um excesso de democracia, onde não se pode criar barreiras para qualquer pessoa de bem concorrer a qualquer cargo eletivo, o que em teoria é uma ótima premissa, já que a seleção natural – manuseada pelo voto – cuidaria para eliminar os ruins. Ou melhor, deveria funcionar assim, mas o extremo descontentamento e o conformismo institucional plantado em nosso DNA nos impede de ver além de nossos próprios narizes.

Nosso segundo ponto é o chamado efeito manada, maria vai com as outras, ou como queira chamar. Basicamente repetir aquilo que deu certo, sem fazer uma análise de critérios, sem medida. O maior exemplo disso é a forma de como nossos candidatos brasileiros têm copiado a estratégia de campanha e mídias sociais utilizadas na campanha que elegeu Barack Obama ao posto de imperador do mundo presidente americano.

Juntando tudo isso, o que vemos é um circo montado, cuja única função é iludir o eleitor e desviar sua atenção para coisas não relevantes, nos fazendo esquecer daquilo que realmente importa.

É o típico caso de lobo em pele de cordeiro.

Mas como acabar com a corrupção dos políticos?

Para responder à essa pergunta, vamos relembrar do Manifesto Dogma 95, que foi uma tentativa dos cineastas dinamarqueses, Thomas Vinterberg e Lars von Trier, em criar um cinema mais realista e menos comercial.

As regras escritas basicamente proibiam truques e jogos de cenas, e qualquer outro meio artificial, usado para iludir o telespectador. Qualquer meio superficial não poderia ocorrer.

O resultado disso foram filmes excessivamente realistas, preocupados somente com o enredo, filmados com pouco dinheiro, aquele cinema de raiz, moleque, que jogava futebol com bola de meia na rua depois da aula…

Esse movimento sobreviveu até 2005, quando os próprios fundadores perderam o interesse, partindo para novos trabalhos mais experimentais e coisas do tipo.

Essas regras, que podem ser lidas a seguir, podem ser usadas com alguma adaptação de realidades pelos partidos políticos em suas campanhas? Veja abaixo as regras originais, onde fazemos apenas uma adição, uma regra de ouro:

“Nenhum recurso de público deve ser utilizado e o custo total não pode ultrapassar a soma anual do salário do cargo a que se concorre”

As regras do Dogma 95, também conhecidas como “voto de castidade”, são:

01 – As filmagens devem ser feitas em locações. Não podem ser usados acessórios ou cenografia (se a trama requer um acessório particular, deve-se escolher um ambiente externo onde ele se encontre).

02 – O som não deve jamais ser produzido separadamente da imagem ou vice-versa. (A música não poderá ser utilizada a menos que ressoe no local onde se filma a cena).

03 – A câmera deve ser usada na mão. São consentidos todos os movimentos – ou a imobilidade – devidos aos movimentos do corpo. (O filme não deve ser feito onde a câmera está colocada; são as tomadas que devem desenvolver-se onde o filme tem lugar).

04 – O filme deve ser em cores. Não se aceita nenhuma iluminação especial. (Se há muito pouca luz, a cena deve ser cortada, ou então, pode-se colocar uma única lâmpada sobre a câmera).

05 – São proibidos os truques fotográficos e filtros.

06 – O filme não deve conter nenhuma ação “superficial”. (Homicídios, Armas, etc. não podem ocorrer).

07 – São vetados os deslocamentos temporais ou geográficos. (O filme se desenvolve em tempo real).

08 – São inaceitáveis os filmes de gênero.

09 – O filme final deve ser transferido para cópia em 35 mm, padrão, com formato de tela 4:3. Originalmente, o regulamento exigia que o filme deveria ser filmado em 35 mm, mas a regra foi abrandada para permitir a realização de produções de baixo orçamento.

10 – O nome do diretor não deve figurar nos créditos.

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