A tragédia de Santa Maria

Talvez o leitor que não acompanhe sempre o Cotidiano Nacional poderá estranhar que só agora nós vamos tocar no assunto, mas aquele que nos conhece, sabe que é assim que nós fazemos.

Porque nós não fazemos parte da imprensa carniceira e nem de aproveitadores dos momentos de dor alheia. Não quero mostrar fotos da tragédia, muito menos daqueles que se foram.

Queria fazer uma outra reflexão sobre o assunto: fiquei emocionado com a quantidade de pessoas que foram ajudar, os tão necessários voluntários, que deixaram suas casas, suas cidades, seus trabalhos e ajudaram a diminuir a dor daquelas famílias que perderam, alguns deles, seus únicos filhos.

Mas eu queria saber só uma coisa: é só quando acontece tragédias como a de Santa Maria que as pessoas precisam de ajuda ou que os voluntários se sentem “convocados” a socorrer os necessitados?

Será que nesse imenso país ninguém sente fome, frio ou sede? Ou só quando pega fogo na boate? Será que não podemos ajudar pelo simples fato de querer de fato ser voluntário, ou só vale a pena ajudar se sair na televisão?

Porque cidades, mesmo oferecendo salários generosos, não conseguem um mísero médico para cuidar da sua população? Porque hospitais, tão carente de recursos humanos, não recebem parte desse número de voluntários que foram ajudar em Santa Maria? Será que precisa o hospital pegar fogo para percebermos que ele precisa de ajuda? Ou quantos mais precisarão morrer até que eu levante a bunda da minha confortável poltrona?

Muitas das vezes os exemplos de superação dado por essas pessoas são de fato emocionantes e eles são mesmo os nossos heróis, ou pelo menos foram em Santa Maria e sei que muitos fazem muito, e menos do que gostariam.

Mas as vezes esse tipo de atitude, ao invés de mostrar que as coisas tem solução, me deixam um pouco desanimado, porque só somos urgentes quando o calo aperta.

Antes que alguém reclame, eu pouco ou nada faço para ajudar outras pessoas. Gostaria sim de fazer mais, mas muitas das vezes me sinto impotente. No entanto, não sou hipócrita, pois isso é uma desculpa do tipo “prefiro ficar quieto, passar desapercebido, do que me aparecer”.

Espero um dia poder fazer mais e espero que todos também possam dispor de parte de seu tempo ajudando principalmente àqueles que não tem um câmera ou não são importantes nem numerosos o suficiente para passar no jornal da noite.

Enquanto isso, vamos apagando os incêndios.

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