Arquivo do mês: janeiro 2014

O mito da nossa Rota 66

Como dizem que nós adoramos imitar os EUA, temos também a nossa própria rota 66: a SP-68, hoje chamada rodovia dos Tropeiros mas que também responde por Antiga Rio-São Paulo.

Morei até os 18 anos às margens dessa rodovia, haja visto que a estrada percorrida, ou melhor, atravessava o centro da pequena cidade de Bananal, encravada no vale do Paraiba.

Com a inauguração da via Dutra (BR-116) a antiga Rio-São Paulo foi deixada de lado, bem como as cidades por quais ela passava. E as receitas que ja eram pequenas, quase que desapareceram. E as cidades podem ser retratadas, por exemplo, no Cidades Mortas, de Monteiro Lobato.

Lembro-me, uma vez quando criança, houve um bloqueio na via Dutra que na época falaram que era greve e então eram reativaram a SP-68. Passava tanto carro na rua de casa que eu passei boa parte do dia sentado em frente sentado na calçada com a minha avó anotando os nomes das cidades das placas do carro.

Com o abandono, a estrada também deixou de receber manutenção e só passava mesmo quem tinha destino às cidade do trajeto: Arapeí, São José do Barreiro, Areias e Silveiras. Contando com Bananal são 5 cidades, pouco mais de 100km. A empresa de ônibus da região também utilizava a estrada, com duas linhas: Bananal-São Paulo e Bananal-Aparecida, apelidada de pinga- pinga porque parava em todas as cidades, entrava em cada rodoviária.

Com isso, criou-se a máxima: a estrada é ruim e se hoje você perguntar, a resposta é a mesma, mesmo que o cidadão jamais tenha feito o trajeto, seja de ônibus ou de carro.

Mas eu, teimoso de natureza, em minha curta estada em Bananal, resolvi no retorno a São Paulo, enfrentar a estrada. Curiosamente ela está em excelente estado de conservação, com um trecho um pouco desgastado depois da cidade de Silveiras, a última antes da Dutra.

Todos que puderem e gostarem de pequenas cidades, comida caseira, artesanato, uma boa conversa na praça e paisagens naturais de tirar o fôlego, devem fazer esse caminho. Mas um alerta: venha com tempo!

Você não precisa necessariamente percorrer todo o percurso, RJ-SP, mesmo porque eu mesmo não conheço o trecho carioca. Se você vem de SP, entre logo após a cidade Cachoeira Paulista. Entrada à direita, na Rodovia dos Tropeiros. Logo no início você pode parar na igreja da Nossa Senhora da Santa Cabeça e pedir a benção para sua viagem. Em seguida, compre artesanato em Silveiras e depois pare para almoçar em Areias ou São José do Barreiro. Faça o seu pernoite em Bananal, mas reserve um dia inteiro para descobrir suas atrações. Em todas as paradas, converse com as pessoas. Faz toda a diferença.

Se você vem do Rio de Janeiro, abandone a via Dutra na entrada para Angra dos Reis, pegue a estrada até o trevo de Rio Claro e rume para Bananal. Faça o caminho inverso, mas não deixe de dormir em Bananal.

Tanto na ida quanto na volta procure saber onde é o morro frio. Lá você verá uma das vistas mais lindas de todo o percurso. É de tirar o fôlego. Para ajudar a localização, ele fica bem próximo do letreiro da cidade de Areias, em um recorte de morro, com um ponto de ônibus. Vale a parada para fazer umas fotos.

Não deixe se iludir por um tapete onde se poder voar a 110 km/h. Deixe o tempo passar devagar na antiga Rio-São Paulo. Você vai se surpreender.

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O Homem que Não Queria Ser Papa

Nossa sugestão de leitura dessa semana, que deveria ser publicado ontem motivo pelo qual pedimos desculpas aos nossos leitores, é o livro do jornalista e escritor alemão Andreas Englisch, que foi correspondente no Vaticano.

O homem que não queria ser papa narra como foi o pontificado de Bento XVI, seu início complicado e a dura tarefa de varrer as sujeiras da igreja.

O cardeal Ratzinger saiu da sua escrivaninha solitária de teólogo para assumir o mais alto posto da Igreja Católica.

No momento em que escrevo esse post, encontro-me na página 50 (são 552). Mesmo não tendo lido o livro todo, quero indicá-lo, porque acredito que todas as histórias que dizem respeito aos mistérios do Vaticano são por demais interessantes.

Nota do Editor: o livro apresenta erros de português grotescos, bem como de grafias de nome, que deveriam estar isentos pelo valor que ele custou.

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A História do Brasil

Nossa dica de leitura dessa semana são os livros de Laurentino Gomes que contam uma história do Brasil que você jamais vai encontrar nas salas de aula.

E depois de uma passada por eles – são três, 1808, 1822 e 1889 – você vai conseguir muitas das coisas que hoje dizemos que são culturais.

Mas é preciso começar e a primeira parte é 1808 contando a vinda ou a fuga da família real portuguesa para o Brasil.

Como diz a orelha do livro, “a fuga da família real para o Rio de Janeiro ocorreu num dos momentos mais apaixonantes e revolucionários do Brasil, de Portugal e do mundo. Guerras napoleônicas, revoluções republicanas e escravidão formaram o caldo no qual se deu a mudança da corte portuguesa e sua instalação no Brasil.”

Aventure-se e conheça mais sobre a formação do Brasil, você certamente se surpreendera.

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As benesses da vida nas pequenas cidades

Do Enviado Especial à Bananal

No ano em que completarei 20 anos desde que sai de Bananal em busca de novos horizontes, gostaria de fazer alguns comentários.

Se fosse em outros tempos, talvez eu incentivaria as pessoas a virem avisando que não temos shopping, cinema ou fast foods. Hoje eu falo que venham mesmo porque não temos shopping, cinema e fast foods.

As vezes acho que estou sendo repetitivo, mas quem vier precisa vir com tempo, para viver a cidade. Como ex-morador, adoro ficar “vagando” pela cidade.

O silêncio do cemitério, as ruas de pedra,  a penumbra da noite em ruas e praças com pouca iluminação, os senhores jogando dominó ou carteado no coreto da praça, o sino da torre do relógio.

Aproveito duas impressões de hoje: o maior mercado da cidade não tem mais que seis caixas e apenas duas estavam abertas. Mas eram demais. Lembro de ter visto somente mais uma pessoa no mercado, e não é difícil, pois o mercado tem somente 4 corredores de gôndolas. Foi impagável a sensação. Confesso que estava desconcertado.

Outro foi ver o antigo bar do Pio sem os velhos biombos que “escondiam” as mesas de sinucas. Quando eu era pequeno, aquilo era território proibido. Lembro de já ter ido naquele bar, mas nunca me atrevi a lançar sequer para aquele local que permanecia escondido aos olhos transeuntes.

Agora, com a proximidade do carnaval, começam os ensaios das escolas de samba. Topei com um na praça da Matriz (igreja). Não se iluda achando que verá mulatas. Eram 6 rapazes e mais meia dúzia de cidadãos que ocupavam alguns bancos da praça, na certa apenas aproveitando a noite quente de verão.

São assim as noites na pequena Bananal e provavelmente em muitas cidades pequenas. Mas alguém disse que vida mesmo é na cidade grande, onde perdemos horas dentro de um carro, comemos correndo em fast foods hamburgueres com gosto de papelão, enfrentamos filas em estacionamentos, mercados, bancos, cinemas e até mesmo em carrocinhas de hot dog…

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Aposentadoria: seu dia vai chegar.

O Brasil mudou. Agora vivemos mais, ganhamos mais, gastamos demais (isso sempre foi assim) e mesmo com todas as dificuldades que o governo impõe, os brasileiros estão conseguindo a tão sonhada e ao mesmo tempo temida aposentadoria.

Que fique bem claro que quando uso o termo temida,  refiro-me  aos fracos. Porque no meu caso, seria a tão sonhada aposentadoria.

A questão é a seguinte: você, que vai se aposentar em breve, tem que estar preparado para isso. Não venha com sua mediocridade me perguntar o que você vai fazer quando se aposentar, porque se você não sabe, lamento profundamente que tenha nascido.

Eu, que tenho 38 anos de idade e pouco mais de 17 anos de contribuição, já estou completamente preparado e pronto para a aposentadoria. Penso até em me tornar um personal-aposentor e ajudar a velharada aos idosos a se preparar para essa hora tão esperada, e acreditem, tão especial.

Nossos ensinamentos servirão tanto para os aposentados da capital, quanto dos interior.

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Bananal/SP: Uma viagem ao passado

Do Enviado Especial à Bananal

Com esse título piegas, começo esse post que dará uma boa dica de viagem para quem gosta do interior e de coisas antigas, históricas.

A pequena cidade de Bananal, distante 350 km da capital paulista, encravada no berço da cultural nacional, também conhecido como Vale do Paraíba, é a nossa dica de hoje.

Com pouco mais de 10 mil habitantes, Bananal se encaixa perfeitamente nas narrativas de Monteiro Lobato em seu “Cidades Mortas”. As glórias do passado ainda ofuscam as verdadeiras necessidades do bananalenses.

E por mais que minhas enteadas achem que não tem nada pra fazer aqui, Bananal tem uma gama de atividades, tanto na cidade com nas cercanias, basta apenas apurar o teu olhar.

Não espere, no entanto, comer no Mc Donalds ou pegar um cinema, mas tem vegetação abundante, rios e cachoeiras de águas límpidas, história a céu aberto e um povo pra lá de hospitaleiro.

Aqui você ainda compra fiado e o bêbado se indireita na calçada pra dizer “bom dia”. Os enterros são anunciados em carro de som e a prefeita toma café na casa do munícipe. Os restaurantes, fecham no final de semana.

Não vou dar endereço nem indicar passeios ou locais. Isso você consegue na praça. Mas também não venha pra cá pra ficar dois dias. Você tem que andar pelas ruas, viver o cotidiano da cidade, conversar com as pessoas.

Mas você também precisa de uma nova mentalidade. Você precisa aumentar seu campo de visão. Do contrário, você vai perder a viagem.

Se suas limitações são shopping, fast foods e sabe-se la o que mais que faz sua cabeça, é melhor nem vir, porque não quero pessoas limitadas na minha cidade.

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Livro digital x livro impresso

Quando eu ainda tinha facebook, há muito tempo, cheguei a ver uma campanha contra o leitor digital de livros.

A campanha pregava que jamais irão trocar o livro impresso pelo digital. Mas creio que é uma campanha desnecessária.

Eu tenho um leitor digital, o segundo pois o primeiro foi furtado, e continuo comprando livros impressos, como o leitor pode ver no post “Acervo Pessoal”.

Creio que ambos são importantes e devem receber investimentos. E nas viagens, ou você leva suas centenas de livro digitais ou leva um livro em especial para não ficar sem essa importante atividade, que é a leitura.

Portanto, o importante é nunca abandonarmos a leitura, sejam os livros impressos ou digitais.

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