O mito da nossa Rota 66

Como dizem que nós adoramos imitar os EUA, temos também a nossa própria rota 66: a SP-68, hoje chamada rodovia dos Tropeiros mas que também responde por Antiga Rio-São Paulo.

Morei até os 18 anos às margens dessa rodovia, haja visto que a estrada percorrida, ou melhor, atravessava o centro da pequena cidade de Bananal, encravada no vale do Paraiba.

Com a inauguração da via Dutra (BR-116) a antiga Rio-São Paulo foi deixada de lado, bem como as cidades por quais ela passava. E as receitas que ja eram pequenas, quase que desapareceram. E as cidades podem ser retratadas, por exemplo, no Cidades Mortas, de Monteiro Lobato.

Lembro-me, uma vez quando criança, houve um bloqueio na via Dutra que na época falaram que era greve e então eram reativaram a SP-68. Passava tanto carro na rua de casa que eu passei boa parte do dia sentado em frente sentado na calçada com a minha avó anotando os nomes das cidades das placas do carro.

Com o abandono, a estrada também deixou de receber manutenção e só passava mesmo quem tinha destino às cidade do trajeto: Arapeí, São José do Barreiro, Areias e Silveiras. Contando com Bananal são 5 cidades, pouco mais de 100km. A empresa de ônibus da região também utilizava a estrada, com duas linhas: Bananal-São Paulo e Bananal-Aparecida, apelidada de pinga- pinga porque parava em todas as cidades, entrava em cada rodoviária.

Com isso, criou-se a máxima: a estrada é ruim e se hoje você perguntar, a resposta é a mesma, mesmo que o cidadão jamais tenha feito o trajeto, seja de ônibus ou de carro.

Mas eu, teimoso de natureza, em minha curta estada em Bananal, resolvi no retorno a São Paulo, enfrentar a estrada. Curiosamente ela está em excelente estado de conservação, com um trecho um pouco desgastado depois da cidade de Silveiras, a última antes da Dutra.

Todos que puderem e gostarem de pequenas cidades, comida caseira, artesanato, uma boa conversa na praça e paisagens naturais de tirar o fôlego, devem fazer esse caminho. Mas um alerta: venha com tempo!

Você não precisa necessariamente percorrer todo o percurso, RJ-SP, mesmo porque eu mesmo não conheço o trecho carioca. Se você vem de SP, entre logo após a cidade Cachoeira Paulista. Entrada à direita, na Rodovia dos Tropeiros. Logo no início você pode parar na igreja da Nossa Senhora da Santa Cabeça e pedir a benção para sua viagem. Em seguida, compre artesanato em Silveiras e depois pare para almoçar em Areias ou São José do Barreiro. Faça o seu pernoite em Bananal, mas reserve um dia inteiro para descobrir suas atrações. Em todas as paradas, converse com as pessoas. Faz toda a diferença.

Se você vem do Rio de Janeiro, abandone a via Dutra na entrada para Angra dos Reis, pegue a estrada até o trevo de Rio Claro e rume para Bananal. Faça o caminho inverso, mas não deixe de dormir em Bananal.

Tanto na ida quanto na volta procure saber onde é o morro frio. Lá você verá uma das vistas mais lindas de todo o percurso. É de tirar o fôlego. Para ajudar a localização, ele fica bem próximo do letreiro da cidade de Areias, em um recorte de morro, com um ponto de ônibus. Vale a parada para fazer umas fotos.

Não deixe se iludir por um tapete onde se poder voar a 110 km/h. Deixe o tempo passar devagar na antiga Rio-São Paulo. Você vai se surpreender.

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Arquivado em Cotidiano Nacional

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