Arquivo do mês: abril 2016

Pernambuco: o voto de Bruno Araújo

 

João Santana, do Recife, especial para o Cotidiano Nacional

 

O término da votação de ontem pelo encaminhamento do processo de impeachment da senhora Presidente Dilma ‘Tchau Querida’ Rousseff guardou, para mim, um momento de reconciliação com o meu próprio passado.

Não nego que já fui marxista, convertido ainda adolescente depois do impeachment de Collor e filiado ao PCdoB desde 1999. Bruno Araújo tinha sido eleito deputado estadual um ano antes, e mantinha sua influência no movimento estudantil que àquela época era disputado palmo a palmo pelo PCdoB e pelo PSTU. Em alguns momentos recentes da história de Pernambuco acabamos por estar em lados opostos, como nas greves contra o Governo Jarbas Vasconcelos (1998-2006) e no Fora FHC. Nunca nos confrontamos no campo das ideias diretamente, mas sempre me opus aos seus posicionamentos nos lugares estudantis onde ele tinha alguma influência, e por várias vezes praguejei diante de alguma vitória do socialdemocrata, fosse na Alepe (Assembleia Legislativa de Pernambuco), fosse no movimento estudantil.

As contradições do marxismo me levaram à reflexão sobre suas virtudes e daí à leitura de alguns livros do Index Librorum Prohibitorum socialista, entre eles 1984 e Perestroika. O marxismo não era mais possível para mim depois disso e, buscando novos caminhos alinhados ao meu novo pensamento ideológico, já socialdemocrata na linha de Rosa Luxemburgo, encontrei abrigo onde menos esperava – no PSDB. Ali, enquanto me reacomodava ideologicamente, passei a observar melhor aqueles a quem taxei de adversários, entre eles, o já deputado federal Bruno Araújo. O ódio de antanho deu lugar ao respeito.

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Fonte: PSDB

Não estou mais no PSDB (o ser político erra ao continuar defendendo politicamente ideias com as quais não mais concorda), e a socialdemocracia já passou, mas o respeito por Bruno Araújo e por outros políticos oposicionistas com quem tive a oportunidade de trocar duas palavras continua. Ontem, ao pronunciar seu voto a favor do encaminhamento ao Senado, o respeito tornou-se orgulho, por ter sido ele o deputado pernambucano a fechar a fatura.

O Brasil agradece, Bruno.

João ANTONIO Santana não é publicitário, mas gestor de recursos humanos, avôhai e escritor nas horas vagas

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Se gritar pega ladrão…

Por Carlos Correa, especial para o Cotidiano Nacional, que escreveu esse texto em homenagem à sua família, seus filhos e netos. “Um beijo para minha mãe, meu pai, para a Xuxa e para a Sasha…”

 

Em nossa história recente, não me lembro de ver pessoas coladas ao pé da TV para acompanhar uma sessão do parlamento, e só por isso, a votação sobre a decisão do prosseguimento do impeachment deveria ser lembrada.

Não que eu seja a favor deste governo, ou mesmo contrário a ele. Só que nos últimos dias, o que temos visto nas ruas são pessoas que, ao contrário de acompanhar o trabalho parlamentar, agem apenas como torcedores em volta de uma arena de batalha.

Momento da piada ruim: Esta torcida é de se lamentar… OK, desculpe.

A democracia, em uma visão simplificada, tende a ser um regime político superior, pois é o único em que os populares têm voz e podem, com algum esforço, chegarem ao topo da estrutura.

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Fonte: Folha de São Paulo

Para os gregos das cidades-estado, suponho que este caminho fosse mais fácil, pois o envolvimento das pessoas com as questões da cidade fosse algo mais natural, mas alguns milhares de anos depois, o que vimos ontem foi um festival de idiossincrasias.

O ponto alto da noite, o nobre amigo leitor há de concordar, foi o voto em “homenagem” ao torturador da presidente, proferido pelo também “homenageável” deputado Jair Bolsonaro que, momentos mais tarde, recebeu de presente uma cusparada de outro nobre colega, o deputado PSOLista Jean Wyllys.

Caso o evento não tenha sido grotesco o bastante, fazemos questão de repetir: entre nossos representantes eleitos, existem aqueles que fazem homenagens para torturadores, bem como insanos do tipo que preferem expor seus germes ao invés de pensamentos. Tomara que, pelo menos, essa cusparada não venha carregada de H1N1.

Saudades das minhas aulas do colégio, onde se ensinavam matérias como Educação Moral e Cívica, OSPB, Economia Doméstica, Educação para o Lar, Latim e Técnicas Comerciais, todas elas retiradas do currículo básico por não fazerem mais sentido no contexto social atual.

Carlos Alberto CORREA Filho
Administrador, pós-graduado em história, delegado especialista da
Associação Mundial de Esperanto (UEA), membro da Câmara Brasileira
da Língua Internacional Esperanto (CBLIE)

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O parlamentarismo salvará o Brasil?

Por Carlos Correa, especial para o Cotidiano Nacional

Muito se tem falado nos últimos dias, sobre a hipótese de mudança do sistema de governo, deixando de ser presidencialista, para se tornar parlamentarista. Mas o que é de fato, o parlamentarismo?

Este sistema se sustenta na ideia de que o governo é fortalecido – e portanto, motivado a trabalhar, pelo tempo em que as pessoas confiarem nele. Este apoio popular acontece pelos parlamentares, aqueles que nós escolhemos para agir sobre a coisa pública em nosso nome, na forma de um voto de confiança.

Neste contexto estamos falando somente de governo, mas também não podemos deixar de lado os assuntos relacionados ao estado, tais como relações internacionais, acordos de trabalho conjunto, blocos econômicos, situação de guerra, dentre muitos outros.

A proposta de mudança que está em transitação no Senado Federal, a PEC 6/16, de autoria do Senador Aloysio Nunes Ferreira – PSDB-SP (entre outros), propõe aquilo que também pode ser chamado de semipresidencialismo, pois a função “governo” do poder executivo passa a ser de direito do Primeiro Ministro, que quase sempre é o parlamentar chefe do partido da maioria, enquanto que a função “estado” permanece com o Presidente da República, como acontece, por exemplo, em países como Portugal, França e Itália.

Só que, em nossa opinião, o ponto mais sólido deste sistema é enfraquecido quando colocado no caso brasileiro, justamente porque não temos um corpo parlamentar sólido e competente.

O Brasil tem até o momento, 35 partidos políticos em situação regular, e pelo menos, 20 outros em processo de registro. Destes, podemos afirmar com baixa margem de erro, que não passam apenas de um devaneio de seu criador, existindo em torno deste, e se alimentado das migalhas que recebem do governo.

Ou você vai me dizer que o Partido da Mulher Brasileira, com seus 34 filiados, 2 deputados federais e apenas 1 senador tem uma proposta de verdade para o Brasil?

Mesmo assim, este partido também recebe verbas do fundo partidário, que no orçamento de 2016, ultrapassa dos 730 milhões de reais.

Resolver este problema partidário, que nada mais é do que uma fotografia de nossa própria miséria enquanto cidadãos, me parece algo mais importante para ser feito neste atual momento de crise.

Carlos Alberto CORREA Filho
Administrador, pós-graduado em história, delegado especialista da
Associação Mundial de Esperanto (UEA), membro da Câmara Brasileira
da Língua Internacional Esperanto (CBLIE)

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