Pensamentos linguísticos e o paradoxo da Tostines

Por Carlos Correa, especial para o Cotidiano Nacional

Saindo um pouco do círculo vicioso que é falar mal dos outros (que nas últimas semanas é quase a mesma coisa que falar mal de político e da crise brasileira), vamos abordar desta vez sobre essa tal de língua mundial.

Mas por que vamos falar sobre isso o incauto leitor deve se perguntar, e para te responder gostaria antes de propor uma reflexão: a gente fala porque pensa ou pensa porque fala? Juro que até o final do texto eu te respondo!

Bom, de acordo com sociólogo George Weber, se o mundo fosse formado por apenas 100 pessoas, apenas 2 pessoas poderiam conversar entre si, e ambas conversariam em mandarim. Todas as outras não conseguiriam se comunicar.

Mas quando a gente pensa em qualquer assunto externo ao Brasil, nosso primeiro pensamento é relacionar à língua inglesa. Como se todo mundo falasse essa língua, o que não é verdade.

De fato, conforme o relatório divulgado pelo Ethnologue, apenas 12% das pessoas falam inglês, e em níveis muito baixos, se olharmos o mapa de proficiência da Education First:

EF_Ingles

Olhando esses dados, pode parecer ao amigo leitor que estamos numa batalha contra o ensino de inglês, o que de fato não faz sentido nenhum.

Nosso objeto é levantar o debate para que pensemos juntos se a estratégia de se ensinar uma língua estrangeira nas escolas na média, por 10 anos, tem sido eficiente no sentido de fazer as pessoas se comunicarem, o que sinceramente, tem falado miseravelmente.

Ao se propor o ensino de uma língua, são ensinadas também as formas de se pensar e de se entender o mundo. Em outras palavras, passamos a ver as coisas pelos olhos de outra pessoa e ainda mais, conseguimos entender e talvez aceitar as coisas que essas pessoas aceitam.

É só perguntar para qualquer pessoa, para onde ela quer viajar. É quase certo que as respostas mais frequentes serão parecidas com Disney.

A influência negativa causada pelo lobby em volta da língua inglesa é tão grande, que é chique misturar palavras inglesas no dia a dia. No mercado publicitário então, nem se fale!

É um tanto de freelancers, jobbys, papers, briefings, kick-backs, budgets que de vez em quando me confundo se realmente estou no Brasil.

Mas fazer biscates, trabalhos, artigos, resumos, comissões e orçamentos não dá status.

Ah sim, respondendo à pergunta lá de cima, nossa linguagem é o que determina a forma como pensamos.

Fontes:

George Weber. Top Languages: The World’s 10 Most Influential Languages. Language Today; Vol. 2, Dec 1997.

Ethnologue (sobre a situação atual da língua inglesa): https://www.ethnologue.com/language/eng

Education First (relatório sobre proficiência em inglês): http://media.ef.com/__/~/media/centralefcom/epi/v4/downloads/full-reports/ef-epi-2014-english.pdf

Carlos Alberto CORREA Filho
Administrador, pós-graduado em história, delegado especialista da
Associação Mundial de Esperanto (UEA), membro da Câmara Brasileira
da Língua Internacional Esperanto (CBLIE)

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