Arquivo da categoria: Eleições 2010

Se o Sudeste fosse um país, Dilma Roussef seria a presidente

Ainda incomodado com a animosidade contra os brasileiros do norte e do nordeste e amante dos números e da estatística, resolvi resumir a nossa eleição ao estados do Sudeste: Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais.

Os resultados surpreendem, mais a mim do que aos demais, creio eu. É engraçado que uma conta que até meu filho de 11 anos poderia fazer, algumas pessoas não tiveram essa curiosidade antes de disparar contra os nordestinos e nortistas.

Mas vamos ao que interessa. Se o Sudeste fosse um país, Dilma Roussef seria eleita presidente da república. Veja os números:

Dilma Roussef = 22.540.695 votos (51,88%)
José Serra = 20.910.091 votos (48,12%)

Enfim, já estou cansado de tentar justificar o injustificável. Falando em justificar, eu justifiquei meu voto no último dia 31. Sem estômago de votar no PT e com vergonha de votar em alguém como o Serra. Por fim, durmam com um barulho desses.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Cotidiano Nacional, Eleições 2010

Quem elegeu Dilma Roussef?

Desde que foi proclamada presidente eleita ontem à noite, venho acompanhando no Twitter inúmeras ofensas contra os brasileiros do Norte e do Nordeste. Tenho amigos no Acre, Alagoas, Pernambuco, Roraima, Pará, entre outros estados. Pessoas com quem converso quase que diariamente e por isso mesmo não pude silenciar aos absurdos que li.

É uma das formas mais grosseiras e nojentas de preconceito que eu já pude presenciar. Pessoalmente não tenho preconceitos contra negros, nordestinos, pobres, ricos, estrangeiros ou homossexuais. Mas tenho preconceito contra a burrice e a ignorância. E estes estão localizados tanto no Norte e no Nordeste, quanto aqui, na capital do Estado mais rico da Federação. Sim, aqui em São Paulo tem ignorante saindo pelo ladrão.

Mas vou responder as ofensas com números, o que para mim basta e serve como um cala-boca ao meus “irmãos” paulistas.

Excluindo-se todos os votos do Nordeste, o resultado da eleição seria:
Dilma Roussef = 35.555.661 votos (50,78%)
José Serra = 34.462.763 votos (49,22%)

Ah, mas tem o pessoal do Norte também, não é mesmo? Então vamos excluí-los também.

Portanto, sem os votos do Norte e do Nordeste o resultado seria:
Dilma Roussef = 33.700.059 votos
José Serra = 33.318.762 votos.

Incrível. De novo a Dilma vence, e sem a ajuda do Norte e do Nordeste. Impressionante, não acham?

Se ainda está difícil para entender, última tentativa hein: Onde o Serra ganhou, a diferença foi medíocre, já onde a Dilma ganhou, a diferença fez a diferença.

Exemplos, para ajudar (sem contar Norte e Nordeste):

– Em Minas Dilma conseguiu 16,9 pontos sobre Serra.
– No Rio de Janeiro foram quase 21 pontos de vantagem pra Dilma
– Em São Paulo, onde Serra era governador, a diferença em favor dele foi de módicos 8 pontos.
– No Rio Grande do Sul, não chegou nem a 2 pontos de vantagem para o Tucano.

Portanto, meus caros compatriotas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. VOCÊS ELEGERAM A DILMA ROUSSEF.

Deixe um comentário

Arquivado em Cotidiano Nacional, Eleições 2010

Seria Utopia?

Por Carlos Filho, do Vivendocidade, especial para o Cotidiano Nacional

Agora que terminamos o processo eleitoral, gostaria de escrever alguma ideias sobre o que deveria ser melhorado no processo, aquilo que gostaria que saísse do papel um dia.

Sinta-se à vontade de comentar, criticar, ou mesmo colocar sua própria ideia aí nos comentários. Imaginar o futuro sempre foi uma forma de entender melhor o presente.

Nesse exercício imaginativo, “toró de parpite” como diria o caipira do meu amigo (sic), precisamos estabelecer algumas regras simples:

1) O Sistema e a forma de governo não podem ser modificadas (infelizmente);

2) Os cargos eletivos são, no executivo: Presidente, Governadores e Prefeitos;

3) Além desses, seus respectivos vices;

4) Já no legislativo, os cargos de Senador, Deputado Federal e Estadual (Distrital no caso do DF) e os Vereadores.

A primeira mudança que faria é a separação do dia/ano de votação para cada esfera pública, uma vez que são coisas diferentes e não devem ficar misturadas. Outro fator contra a eleição para todos os cargos – majoritária ou não a cada ano, é a quantidade de candidatos concorrendo às vagas, e a impossibilidade dos eleitores de conhecer suas propostas e afins.

Dessa forma, imagino que a eleição para os cargos do Executivo deve acontecer em um determinado dia, a cada quatro anos, assim como é hoje, mas sem a possibilidade dos candidatos à vice. O segundo candidato nas urnas deveria ser naturalmente o sucessor.

Claro que nesta hipótese o segundo turno seria irrelevante, portanto descartada.

Os mais velhos devem se lembrar, ou não, mas antes dos militares tomarem o poder no Brasil nos anos de 1960, era assim que funcionava.

Ainda nesta proposta, os cargos legislativos deverão ser votados logo em seguida, no máximo um ano após a eleição executiva, mas com as seguintes propostas:

a) Os senadores continuariam a representar os Estados bem como sua escolha nominal e direta;

b) Os deputados e vereadores passariam a concorrer em seus respectivos distritos eleitorais, onde se espera que sua representatividade seja vista e acompanhada pela população, evitando assim escolhermos qualquer um (como é hoje).

Claro que precisamos de mudanças mais profundas para colocar isso em prática, como por exemplo, uma forma mais eficiente de regular o funcionamento dos partidos políticos.

Convenhamos, fora uns 4 ou 5 partidos (chutando alto), o que sobra além de ser frágil em suas ideias, são mais do mesmo, existindo apenas pelo ego de seu fundador. Isso não só fragiliza a discussão de propostas, como também enfraquece a organização civil em torno da coisa pública.

Por isso, entendo que as regras para a existência partidária deve ser revista.

No que se refere à campanha eleitoral em si, a proibição de toda e qualquer autoridade pública de manifestação em favor de determinado candidato, assim como a gravação de programas ditos crus.

Ou seja, sem edição de imagem e som, sem música, sem apelo emocional e outra forma de superprodução. O objeto é foco no candidato e em seu programa, que falaria exatamente o mesmo tempo, independente do tamanho de sua bancada ou coligação.

Ou vocês não notam que enquanto os mais ricos fazem seus programas em Hollywood, o máximo que os outros conseguem é a edição do Chapolin? Uns falam muito e outros pouco e afins?

Seria utopia imaginar que um dia essas ideias saiam do papel?

Deixe um comentário

Arquivado em Cotidiano Nacional, Eleições 2010, Vivendocidade

Apuração das Eleições 2010 – 2° turno

Assim como no primeiro turno, o Cotidiano Nacional acompanhará a apuração dos Estados que não resolveram seus eleitos no dia 3 de outubro. São eles: Alagoas, Amapá, Goiás, Pará, Paraíba, Piauí, Rondônia, Roraima e o Distrito Federal. As atualizações serão feitas a cada 30 minutos.

Serra precisa tirar a diferença de votos em especial no nordeste, onde em vários estados Dilma conseguiu mais de 60% dos votos.

Dilma tem a vantagem de mesmo onde perdeu para Serra, perdeu por pouca diferença.

No entanto, as disputas pelo Estado está mais interessante: Amapá foi onde os três primeiros candidatos conseguiram 28% dos votos; Na Paraíba os candidatos alcançaram 49% dos votos; Em Roraima a diferença do primeiro pro segundo ficou em 2%, o que representa, naquele estado, pouco mais de 5 mil votos.

Nos outros estados a diferença foi um pouco maior: Alagoas (10%), Goiás (10%), Pará (8%), Piauí (16%), Rondônia (7%) e Distrito Federal (17%).

Não levaremos em conta nenhuma pesquisa eleitoral e de boca de urna.

ELEIÇÃO PRESIDENCIAL – 100%
Dilma Roussef (PT) – 56,05%
José Serra (PSDB) – 43,95%

GOVERNADORES (a ordem dos nomes refere-se ao resultado do primeiro turno)

Alagoas – 100%
Teotônio Vilela (PSDB) – 52,74%
Ronaldo Lessa (PDT) – 47,26%

Amapá – 100%
Lucas (PTB) – 46,23%
Camilo Capiberibe (PSB) – 53,77%

Distrito Federal – 100%
Agnelo (PT) = 66,10%

Weslian Roriz (PSC) = 33,90%

Goiás – 100%
Marconi Perillo (PSDB) = 52,99%
Iris Rezende (PMDB) = 47,01%

Pará – 100%
Simão Jatene (PSDB) – 55,74%
Ana Júlia (PT) – 44,26%

Paraíba – 100%
Ricardo Coutinho (PSB) – 53,70%
Zé Maranhão (PMDB) – 46,30%

Piauí – 100%
Wilson Matins (PSB) – 58,93%
Sílvio Mendes (PSDB) – 41,07%

Rondônia – 100%
Confúcio Moura (PMDB) – 58,68%
João Cahulla (PPS) – 41,32%

Roraima – 100%
Neudo Campos (PP) – 49,59%
Anchieta (PMDB) – 50,41%

Também acompanharemos hoje a apuração estado a estado para simular uma eleição pelo colégio eleitoral, conforme ocorre nos EUA. Aqui no Brasil o colégio será formado pelo número de Deputados Federais (proporcional) e o número de Senadores (três por estado). Para ser eleito, é necessário conquistar 298 delegados. Utilizaremos uma planilha oferecida gentilmente por Carlos Filho, do Vivendocidade.

 

Deixe um comentário

Arquivado em Eleições 2010

O que fazer com 20 milhões de votos?

Hoje estava debatendo com uma leitora o que Marina Silva havia feito com os 20 milhões de votos que ela recebeu na urnas.

Acreditava eu que ela tinha jogado no lixo, primeiro porque demorou a se posicionar sobre qual candidato iria apoiar e depois por ficar em cima do muro. Eu achei que ela foi muito mal na postura e que seria muito melhor se tivesse declarado apoio a um ou a outro.

No entanto, ao conversar com essa leitora, aconteceu o que a gente diz no interior: “fui cortar lã e sai tosquiado”. Ela considera que foi muito inteligente a postura da candidata verde em não apoiar ninguém, uma forma de ter independência. Sem ficar com o “rabo preso”, como se usa. E o argumento, tanto da leitora, quanto da Marina, foi tão forte que eu parei um pouco para pensar, e a Marina ganhou mais uma eleitora para a próxima eleição.

O importante disso tudo é: O que fazer com 20 milhões de votos? Será que Marina Silva saberá usar esse trunfo/triunfo?

Deixe um comentário

Arquivado em Eleições 2010

2º turno: A dura escolha dos eleitores

Se o eleitor encontra severas dificuldades para escolher o candidato da eleição presidencial no próximo dia das bruxas, agradeça se por acaso você não fizer parte daqueles que também terão que escolher o governador.

Se a eleição para o governo de seu estado está resolvida, eu diria então que será só sombra e água fresca (isso sem contar os próximos 4 anos). Mas se você é eleitor dos estados abaixo, veja o que te espera nas urnas. Repare o leitor que a maioria das disputas é entre governadores e ex-governadores do estado. Eita falta de opção, hein?

Os eleitores de Alagoas terão que escolher entre Teotônio Vilela (PSDB) e Ronaldo Lessa (PDT). Vilela é o atual governador e Lessa já foi governador. Este último leva a “vantagem” de receber apoio de Collor e Renan Calheiros. Vilela enfrenta sérios problemas na segurança pública do estado. 23 moradores de ruas foram assassinados em 2010, provavelmente por grupos de extermínio. Outro fato curioso nas Alagoas, para o eleitor tentar entender como é a política brasileira, houve um tempo em que Vilela apoiou Lessa e teceu elogios ao político-amigo. Agora, “descasca o abacaxi” contra seu oponente nas urnas. Não acredita? Veja você mesmo: http://www.youtube.com/watch?v=Sz-acZPfDuA

Amapá terá sua disputa entre Lucas Barreto (PTB) e Camilo Capiberibe (PSB). O estado viveu um drama antes da eleição. O atual governador, Pedro Paulo Dias (PP), que conseguiu apenas 13% dos votos e ficou em 4º lugar, foi preso pela Polícia Federal e passou 10 dias no xadrez. Barreto é apoiado por Sarney e Capiberibe é filho de João Capiberibe, ex-governador e ex-senador pelo estado. Foi cassado e tentava se eleger senador, mas sua candidatura ainda esta sub-judice. No Amapá, está “tudo em casa”.

No Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT) e Weslian Roriz (PSC) almejam o cargo de governador, já ocupado por José Roberto Arruda (DEM) que também tem uma “cana” registrada na sua ficha. Weslian Roriz é mulher de Joaquim Roriz, que não conseguiu fazer passar sua candidatura por causa da Lei da Ficha Limpa. Foi apelidada de “mulher laranja” depois de sua perfomance nos debates.

Goiás para mim terá a tarefa mais dura.  Marconi Perillo (PSDB) e Iris Rezende (PMDB). Não sei qual dos dois é pior, mas deixo esse problema para os eleitores goianenses (?). Ambos já foram governadores e eu me recuso a pesquisar no google a ficha desses senhores.

Pará: O ex-governador Simão Jatene (PSDB) quase levou no primeiro turno, mas deu sobrevida a candidata Ana Júlia (PT), atual governadora do estado. Tirando o fato de ambos dependerem do apoio do PMDB do candidato ficha suja (pelo menos até hoje, quando recurso será julgado no STF) Jader Barbalho, parece que não há grandes escândalos ligados aos candidatos.

Não há como negar que na Paraíba o resultado da eleição é um colírio para os amantes da democracia. Ricardo Coutinho (PSB) venceu o atual governador Zé Maranhão (PMDB) por uma diferença de pouco mais de 8 mil votos, o que representa 0,44%. Juntos, eles receberam 99% dos votos do Estado. Faltou 5 mil votos para que Coutinho levasse no primeiro turno. É um dos poucos que ainda não foi governador. Seu último cargo foi de prefeito de João Pessoa. A seu favor, se isso é possível, tem o seu partido, PSB, que teve no primeiro os dois governadores mais votados do país, ambos com mais de 80% dos votos.

No Piauí Wilson Martins (PSB), que era vice-governador e assumiu o cargo de governador quando Wellington Dias (PT) se afastou para concorrer ao Senado (e foi eleito) tenta, portanto, permanecer no cargo. Sílvio Mendes (PSDB) foi prefeito de Teresina e não terminou o mandato, se afastando para tentar comandar o estado. A curiosidade desse estado não está amparada por escândalos, mas o fato em que ambos os candidatos são médicos.

Em Rondônia a eleição será entre o prefeito de Ariquemes, Confúcio Moura (PMDB) e o atual governador do estado, João Cahulla (PPS), que também ascendeu ao cargo por conta da renúncia de Ivo Cassol (PP), que disputou e conseguiu uma das vagas ao senado. Um terceiro candidato, Expedito Junior (PSDB), não teve seus votos divulgados porque foi barrado pela Ficha Limpa.

Roraima terá que escolher se mantém no cargo o atual governador,  Achieta Júnior (PSDB) ou se elege o ex-governador, Neudo Campos (PP). Será que faltam opções para os roraimenses? Neudo Campos já foi até preso e Anchieta Júnior foi abordado por policiais federais recentemente em Boa Vista. O carro era do governo, mas a PF não sabia que o governador lá estava. Porque será que ele precisava usar carro “não oficial”? Havia denúncia de compra de votos.

Mas não pense vocês, eleitores dos estados acima, que a situação é ruim. Veja os exemplos que citamos agora.

São Paulo elegeu o PSDB que governa o estado há 16 anos.
Rio Grande do Sul elegeu Tarso Genro (PT), a quem tenho ressalvas próprias.
Maranhão deu mais um mandato para Roseana Sarney (PMDB).
Rio de Janeiro elegeu o “chorão” Sérgio Cabral (PMDB), a quem nunca vou perdoar pelas lágrimas derramadas por conta dos “ovos” do Pré-Sal.

Na verdade, todos nós precisamos de muita sorte para os próximos 4 anos. Uma boa eleição a todos.

Deixe um comentário

Arquivado em Eleições 2010

Menor município do Brasil confirma segundo turno

O município de Borá, no Estado de São Paulo, é o menor de todo o Brasil.

O Cotidiano Nacional propôs a “criação” de uma superstição: os eleitores de lá nunca acertam quem será o próximo presidente do Brasil.

Levando-se em conta os dados das ultimas eleições, a última vez que eles escolheram corretamente foi a reeleição do Presidente Fernando Henrique Cardoso, o FHC. Eles também acertaram a vitória do Lula em 2006, mas só no segundo turno.

E agora: será que Borá vai eleger o próximo presidente do Brasil?

Na eleição do dia 3, 817 borarenses compareceram às urnas, de um total de 951 eleitores. Confira os resultados (Fonte: Justiça Eleitoral)

Dilma Roussef (PT) – 324 votos – 41,81% (5, 1% menor que o índice nacional)
José Serra (PSDB) – 300 votos – 38,71% (6,1% maior que o índice nacional)
Marina Silva (PV) – 147 votos – 18,97% (0,36%, quem mais se aproximou do índice nacional

Os demais candidatos “citados” nas urnas foram Plínio (PSOL) com 2 votos e Eymael (PSDC) e Ivan Pinheiro (PCB) com 1 voto cada.

O município possui 3 seções eleitorais. 134 “nativos” não compareceram para votar e 19 votaram em Branco e 23 cidadãos anularam o seu voto para presidente.

Vamos esperar ansiosamente pelo dia 31 de outubro de 2010 e saber qual é o papel de Borá nas eleições presidenciais, mesmo que de forma supersticiosa.

Deixe um comentário

Arquivado em Eleições 2010