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Como escolher seu candidato para as eleições de 2012?

Mais um ano eleitoral, e nada melhor do que voltarmos o Cotidiano Nacional debatendo o teatro dos horrores em que se tornou a campanha de rádio e tv, principalmente para os cargos de vereador país afora.

Devido ao grande número de candidatos, com destaque para oportunistas e aventureiros de ocasião, é humanamente impossível que o eleitor saiba qual é a proposta de trabalho do fulano, muito menos de onde saíram tanta gente interessada em prestar um serviço público, voluntário e gratuito. Só que não.

Convém destacar dois casos de sucesso, para o bom entendimento do nosso raciocínio:

 

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Nosso país passa por um excesso de democracia, onde não se pode criar barreiras para qualquer pessoa de bem concorrer a qualquer cargo eletivo, o que em teoria é uma ótima premissa, já que a seleção natural – manuseada pelo voto – cuidaria para eliminar os ruins. Ou melhor, deveria funcionar assim, mas o extremo descontentamento e o conformismo institucional plantado em nosso DNA nos impede de ver além de nossos próprios narizes.

Nosso segundo ponto é o chamado efeito manada, maria vai com as outras, ou como queira chamar. Basicamente repetir aquilo que deu certo, sem fazer uma análise de critérios, sem medida. O maior exemplo disso é a forma de como nossos candidatos brasileiros têm copiado a estratégia de campanha e mídias sociais utilizadas na campanha que elegeu Barack Obama ao posto de imperador do mundo presidente americano.

Juntando tudo isso, o que vemos é um circo montado, cuja única função é iludir o eleitor e desviar sua atenção para coisas não relevantes, nos fazendo esquecer daquilo que realmente importa.

É o típico caso de lobo em pele de cordeiro.

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“Só não estuda quem não quer”

Com essa afirmação, a presidente que me recuso a escrever o nome deu o tom da entrevista no diário “Café com a Presidenta”, ao falar das políticas públicas e sobretudo sobre as regras do financiamento estudantil.

Longe de mim, entretanto, falar mal das medidas governamentais em favor do ensino. O objeto de nossa crítica é justamente essa necessidade que esta república tem que querer amparar em todos os meios, seus cidadãos. De fato, ao fomentar todo o modo de vida, educação, saúde alimentação e outros temas, estamos criando uma geração incapaz de fazer escolhas, como se fossem crianças mimadas que choram pra mãe quando não recebem o que querem na hora que querem.

No que se refere às crianças, desde a invenção do politicamente correto, primo-irmão da psicologia infantil, temos a chance de alimentar ditadores em miniatura, calando suas bocas com os mais variados (e caros) presentes.

Ousamos dizer que nosso país sofre do mesmo mal, onde grupos específicos – dentre os quase 200 milhões de habitantes que sofrem de algum tipo de problema relacionado à cidadania – se aproveitam da bondade alheia para causarem danos enormes aos nossos próprios bolsos, sem contar aos deles mesmos.

Vemos isso em toda campanha de arrecadação para ajudar as vítimas de alguma trajédia; todos os dias no trânsito, quando algum espertinho corta pela direita falando ao celular ou sem cinto de segurança; ou no caso recente, na cidade mineira de SSão Joaquim das Bicas.

O “maior programa de transferência de renda de nunca antes da história dos últimos anos” realizou depósitos indevidos nas contas de servidores municipais, 140 casos, desde declarações falsas de renda, endereços de parentes ou amigos para não mostrar maior poder aquisitivo e quem sabe mais que tipo de fraude!

Quando o executivo anuncia o Bolsa Família, o faz em frações e com frases de efeito tais como: “Com os cento e pouco reais que a família do seu fulano ganha, dá para comprar mais leite” ou “O Bolsa Família paga menos de sei lá quantos reais, o que parece pouco, mas é muito para aquela gente” e outras parecidas.

Mas se “esquecem” de dizer qual o tamanho da conta que temos que pagar por isso.

Questionados sobre esses problemas, nossas autoridades parecem estar fora do mundo, na terra abençoada de Aman, lar dos altos-elfos e intocada de todo o mal que há na Terra.

Do alto de suas montanhas, com afirmado pelo vereador paulistano Carlos Apolinário (DEM): “são um bando de senhorinhas que não têm o que fazer e vêm aqui dar nota para nosso trabalho”, ao comentar sobre a avaliação feita pela ONG Voto Consciente, que acompanha os trabalhos na Câmara de Vereadores desde 2004.

Que que se pode fazer?

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Seria Utopia?

Por Carlos Filho, do Vivendocidade, especial para o Cotidiano Nacional

Agora que terminamos o processo eleitoral, gostaria de escrever alguma ideias sobre o que deveria ser melhorado no processo, aquilo que gostaria que saísse do papel um dia.

Sinta-se à vontade de comentar, criticar, ou mesmo colocar sua própria ideia aí nos comentários. Imaginar o futuro sempre foi uma forma de entender melhor o presente.

Nesse exercício imaginativo, “toró de parpite” como diria o caipira do meu amigo (sic), precisamos estabelecer algumas regras simples:

1) O Sistema e a forma de governo não podem ser modificadas (infelizmente);

2) Os cargos eletivos são, no executivo: Presidente, Governadores e Prefeitos;

3) Além desses, seus respectivos vices;

4) Já no legislativo, os cargos de Senador, Deputado Federal e Estadual (Distrital no caso do DF) e os Vereadores.

A primeira mudança que faria é a separação do dia/ano de votação para cada esfera pública, uma vez que são coisas diferentes e não devem ficar misturadas. Outro fator contra a eleição para todos os cargos – majoritária ou não a cada ano, é a quantidade de candidatos concorrendo às vagas, e a impossibilidade dos eleitores de conhecer suas propostas e afins.

Dessa forma, imagino que a eleição para os cargos do Executivo deve acontecer em um determinado dia, a cada quatro anos, assim como é hoje, mas sem a possibilidade dos candidatos à vice. O segundo candidato nas urnas deveria ser naturalmente o sucessor.

Claro que nesta hipótese o segundo turno seria irrelevante, portanto descartada.

Os mais velhos devem se lembrar, ou não, mas antes dos militares tomarem o poder no Brasil nos anos de 1960, era assim que funcionava.

Ainda nesta proposta, os cargos legislativos deverão ser votados logo em seguida, no máximo um ano após a eleição executiva, mas com as seguintes propostas:

a) Os senadores continuariam a representar os Estados bem como sua escolha nominal e direta;

b) Os deputados e vereadores passariam a concorrer em seus respectivos distritos eleitorais, onde se espera que sua representatividade seja vista e acompanhada pela população, evitando assim escolhermos qualquer um (como é hoje).

Claro que precisamos de mudanças mais profundas para colocar isso em prática, como por exemplo, uma forma mais eficiente de regular o funcionamento dos partidos políticos.

Convenhamos, fora uns 4 ou 5 partidos (chutando alto), o que sobra além de ser frágil em suas ideias, são mais do mesmo, existindo apenas pelo ego de seu fundador. Isso não só fragiliza a discussão de propostas, como também enfraquece a organização civil em torno da coisa pública.

Por isso, entendo que as regras para a existência partidária deve ser revista.

No que se refere à campanha eleitoral em si, a proibição de toda e qualquer autoridade pública de manifestação em favor de determinado candidato, assim como a gravação de programas ditos crus.

Ou seja, sem edição de imagem e som, sem música, sem apelo emocional e outra forma de superprodução. O objeto é foco no candidato e em seu programa, que falaria exatamente o mesmo tempo, independente do tamanho de sua bancada ou coligação.

Ou vocês não notam que enquanto os mais ricos fazem seus programas em Hollywood, o máximo que os outros conseguem é a edição do Chapolin? Uns falam muito e outros pouco e afins?

Seria utopia imaginar que um dia essas ideias saiam do papel?

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A Regra do “Qualquer Um”

Meus anos de mesário me mostraram uma coisa: quando se trata em votarmos para o legislativo, a regra geral é que qualquer um vale.

Continuando a série de textos sobre as eleições, forma de votação, candidatos e afins, hoje vamos tentar mostrar os motivos que levam as pessoas a, literalmente, acharem seus candidatos na sarjeta.

Segundo a teoria da separação de poderes, o legislativo é um órgão da estrutura responsável pela função de escrever as regras e normas pela qual as pessoas, setores, empresas e todo o restante deverão cumprir. Imagine se na sua casa houvesse uma pessoa que escrevesse e guardasse todas as práticas e costumes da família, essa pessoa é o legislador.

Outra função dessa turma é o de fiscalizar o trabalho do executivo, presidente, governadores e prefeitos, como também os ministros e os secretários. O que não é pouca coisa, diga-se de passagem.

Então porque as pessoas não levam esse voto à sério?

O artigo publicado ontem no Vivendocidade mostra que a quantidade de candidatos inscritos, em relação ao tempo destinado a cada um, levando-se em conta o tamanho da coligação é fator determinante para que o fulano mal tenha tempo para dizer seu nome e número.

Outro fator, que também citei lá e que vamos ampliar aqui é a questão da produção por trás dos programas.

É nítido que a turma dos mais ricos faz programas cheios de cores, música, apelo emocional e tudo o mais. Inclusive minha pesquisa de pós-graduação foi sobre essa influência, sustentada no espetáculo, no culto ao líder e na massificação dos meios de comunicação.

De qualquer forma, essas superproduções ficam no imaginário das pessoas, o jogo de cores, os cortes de cena, a sequência dos programas… Tudo é feito para pescar nossa atenção.

Só isso já é um fator para aquele candidato de partido menor ficar esquecido num canto qualquer, e é justamente esse que corre a porta das escolas na madrugada do dia da eleição sujando a cidade de papel.

Outro fator que devemos levar em conta é o caráter universal das candidaturas. Pela nossa lei, basta ter nascido aqui, ter idade mínima e estar inscrito em qualquer partido. Isso contribui com que pessoas totalmente incapacitadas tentem uma vaga no parlamento, bandidos que querem apenas lavar dinheiro e genéricos de todos os tipos.

Como não temos clara a ideia de que a coisa pública é nossa (na verdade, entendemos que se é público, pertence a ninguém), há um verdadeiro abismo entre nossa realidade, com a realidade dos assuntos da cidade, do estado, e finalmente a nação.

Cansei de ver pessoas na urna que só querem votar para presidente, e colocar qualquer número, apertar qualquer botão até encontrar a tela certa.

Ambas as eleições serem no mesmo dia contribuem para isso, ou votar em seis candidatos de uma só vez pode confundir as pessoas.

Particularmente, acho que a transição do império para república ainda não foi sacramentada no inconsciente coletivo das pessoas. Ideia que também compartilha o imortal José Murilo de Carvalho, mas paro por aqui.

Ou continuo numa próxima oportunidade. Quem sabe?

Carlos Filho, 29 anos, Administrador de Empresas e Editor do Vivendocidade, escreve esporadicamente para o Cotidiano Nacional

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Votos Nulos ou em Branco conseguem anular uma eleição?

Olá amigos! Eu sou o Carlos Filho do Vivendocidade.com e fui convidado pelo Alexandre a escrever no Cotidiano.

Bom, o que queria comentar com vocês é sobre a validade do voto nulo e do voto em branco. Esse é um ano eleitoral e sempre se escuta que essa forma de “protesto” é a mais indicada para mostrar nossa insatisfação quando aos candidatos, polítiticos e o resto da “famíglia”.

De maneira simples e direta, votar nulo ou em branco não influencia em nada no resultado do pleito, mas vamos tentar explicar por partes:

No Brasil existem duas formas de votação: voto majoritário e o proporcional. O primeiro é fácil, já que o canditado deve ser ter maior quantidade de votos nominais para ser eleito ou se não conseguir de primeira, nos colégios eleitorais com mais de 200 mil eleitores, os dois mais votados vão decidir no segundo turno.

Essa forma majoritária de escolha é utilizada para eleição do Presidente da República, Governadores e Prefeitos, e também aos Senadores, e neste caso não há a existência do segundo turno.

É simples: o eleitor escolhe um nome, vota, e aquele que tiver mais votos válidos, é o cara!

Na forma proporcional de eleição é que a coisa fica mais complicada, já que tanto se pode escolher um nome, como um partido, e neste caso votamos na legenda.

A Lei Eleitoral (Lei n.º 9.504 de 30 de setembro de 1997 e alterações) estabelece em seu artigo 5º que voto válido é somente aquele dado ao candidato ou à uma legenda partidária.

Dessa forma, os votos brancos e nulos são simplesmente jogados fora. Valendo para os Deputados Federais e Estaduais e os Vereadores, somente os votos válidos.

Dessa forma, divide-se esse número pela quantidade de cadeiras em disputa, chegando-se a um número mágico conhecido por “quociente eleitoral”.

Quantas vezes o partido conseguir esse número, do total de votos que teve, terá direito à uma cadeira.

Por exemplo: Digamos que no estado do Rio de Janeiro (11,5 milhões de eleitores segundo o TRE-RJ) somente compareceram cerca de 100 mil pessoas, votando da seguinte forma:

Abstenções: 11,4 milhões
Total de votos: 100 mil
Votos Brancos e Nulos: 20 mil;
Votos válidos: 100 – 20 = 80 mil.

Sabemos que a Assembleia Legislativa carioca tem 70 cadeiras, portanto 80 mil / 70 = 1.142 (despreza-se a fração).

Quer dizer que todo o partido que conseguir esse quociente, terá direito à uma cadeira, resultando assim, em uma eleição decidida por apenas 0,7% do eleitorado.

Dessa forma, segundo a lei brasileira, que considera voto útil aquele que é válido, ao votarmos nulo ou em branco, nós apenas passamos a responsabilidade de escolha para outra pessoa.

Até a próxima pessoal, e não deixem de visitar o Vivendocidade.com onde falamos de política e muito mais assuntos relacionados ao cotidiano, sociedades, história e muito mais.

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