Arquivo do mês: setembro 2007

Uma no cravo, outra na ferradura

O post de hoje faz parte de uma série que teve início com o Curtas e Grossas. Depois vieram as Poucas e Boas e hoje apresentamos o terceiro episódio da série, que deverá ter ainda o quarto e talvez último episódio dessa primeira temporada, com título provisório de “A cada enxadada, uma minhoca”. Aproveitem: 

– Hoje é aniversário da 2ª maior tragédia aérea do país. Um avião da GOL caía sobre a floresta amazônica, no Mato Grosso, matando 154 pessoas. Um dia que eu jamais poderei esquecer, pois comemoro mais um ano de vida. Infelizmente, 154 famílias não têm o que comemorar. Principalmente por causa do tratamento que a Gol dá às famílias negando-lhes assistência e pelo fato de que a aeronáutica ainda não apresentou conclusões sobre o acidente, segundo informações da Folha Online.

– Com o intuito de prevenir outros acidentes, o TRF (Tribunal Região Federal) de São Paulo determinou mudanças nas operações de pousos e decolagens do aeroporto de Congonhas. Agora os aviões não podem levantar vôo com mais de 130 passageiros, os reversores de turbinas não podem estar travados, fato que impedirá a utilização das aeronaves,  além da limitação para quantidade de combustível. O que não poderia faltar foram críticas por parte das companhias aéreas e da ANAC. Eu prefiro ficar com a decisão do desembargador federal Roberto Haddad, porque as companhias, em especial a TAM que tem uma lista enorme de acidentes envolvendo suas aeronaves, e a ANAC, que é um órgão até então ocupado por dezenas de incompetentes, não tiveram a menor capacidade para evitar acidentes como o ocorrido com o avião defeituoso da TAM que matou 199 pessoas.

– O Cotidiano Nacional publicou uma vez um artigo sobre o Botafogo, clube de futebol carioca, que teve problemas com doping de um de seus principais jogadores. O artigo não mereceu grande atenção dos leitores, mas só quem vive o futebol sabe o que significava dizer que “tem coisas que só acontece ao Botafogo”, título do artigo em questão. Eis que de novo o Botafogo é objeto de nossa observação, já que perdeu um jogo que pode ser considerado impossível de perder: tomou 3 gols em 20 minutos e com 1 jogador a menos. Para piorar, contra um time argentino e perdendo vaga na Copa “caça-níquel” Sul-Americana. Na chegada ao Rio, os jogadores foram recebidos com pipocas e calcinhas. Alguém ainda dúvida que existam coisas que acontecem ao Botafogo?

– Aproveitando a deixa, vamos falar um pouco de futebol. E o Corinthians hein? Depois que foi usado para lavar dinheiro sujo dos russos, o time enfrenta mais uma de suas grandes crises. Hoje perdeu para o Sport no Pacaembu, na estréia do técnico Nelsinho. Já meu time, o Flamengo, conseguiu me dar um presente de aniversário: venceu o Atlético-MG no maracanã e chegou a entrar na zona de classificação para a Sul-Americana.

– E voltando à copa Sul-Americana, alguém poderia me explicar porque um time dos Estados Unidos da América do Norte está participando da Copa Sul-Americana? O time de Washington, DC United venceu o time mexicano do Chivas por 2 x 1 e agora faz a partida de volta na Cidade do México.

– Para terminar, àqueles que ainda têm dúvidas sobre as alterações climáticas, como explicar que no último domingo tivemos o dia mais quente do ano, com registros de 34ºC na capital paulista e dois dias depois, 11ºC marcavam os termômetros de rua. Agora em São Paulo, segundo o canal do tempo (The Weather Channel), temos 17ºC com céu nublado e ventos de 23km/h.

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Poucas e Boas

Depois do relativo sucesso do “Curtas e Grossas“, vem ai as Poucas e Boas. A idéia de criar mais esse “expediente” no Cotidiano Nacional foi pela falta de tempo e uma possível falta de inspiração. Vamos aos fatos:

– O Senador Renan Calheiros, chefe da quadrilha que tomou conta do Senado e que faz parte, entre outros, o senador carioca eleito por Minas Gerais, Wellington Salgado, declarou que o Brasil acredita na sua inocência. Levando-se em conta que o Brasil é uma nação e até onde sei nações não tem sentimento, é pouco provável que o Brasil acredite na inocência deste senhor. Agora, se ele estava se referindo ao povo brasileiro, eu sou obrigado a concordar com ele. E nós, brasileiros, não só acreditamos na inocência dele como também em Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e na Fada dos dentes.

– O ex-porta-voz da Presidência, André Singer, que assim como o ministro da educação, é professor da Universidade de São Paulo (USP), deu uma entrevista ao “Jornal do Campus”. Para quem não conhece, esse jornal é editado pela Escola de Comunicação e Artes (ECA) da USP e é considerado como de oposição dentro da comunidade uspiana. Eu ainda não li a entrevista, mas no momento isso não vem ao caso. O que me admirou foi o fato de ele não ser mais porta-voz. Como dizem em linguagem popular, Singer entrou mudo e saiu calado. Talvez ele entre para a história como o primeiro porta-voz “mudo” da história deste. Nunca neste país…

– Como a maioria das manifestações, o Dia Mundial Sem Carro foi um fracasso em São Paulo, e provavelmente em muitas outras cidades do país. O que se viu foi inúmeras avenidas congestionada, além da já tradicionalíssima marginal Tiête entupida de carros. Este dia só não foi fiasco maior que o show do Live Earth.

– Mas uma coisa não se pode negar: o tempo está descontrolado. Domingo tivemos um dia muito seco, com temperaturas superiores a 30ºC e hoje encontro uma manhã como há muito não via. Chuva fina e termômetros marcando 9ºC na Cidade Universitária, no bairro do Butantã em São Paulo.

– Algumas verdades passam anos inquestionáveis, ou pelo menos passam a impressão de ser inquestionáveis. A chegada do homem a Lua, por exemplo, era algo que nem mais figurava nas discussões e acreditava eu ser um fato e pronto. Eis que de repente, por um motivo que não sei dizer qual, estava pesquisando sobre possíveis imagens da chegada do homem á Lua. Só o que encontrei foram vídeos relatados e apontando inúmeras evidências que “um grande passo para a humanidade” teria sido uma grande fraude. A luz da razão, em que isso mudaria minha vida? Nada, eu sei, mas o sentimento de decepção que tive em apenas cogitar a hipótese de tudo não ter passado de uma grande produção cinematográfica e indescritível. Eu confesso que tinha muitas dúvidas sobre o fato das inúmeras idas do homem à Lua em curto espaço de tempo (foram 6 missões de 21/07/69 a 11/12/72, com 12 astronautas tocando o solo lunar) sendo que agora para mandar uma nave ao espaço, não pode ter nem um chuvisco sequer. E para voltar então? As operações são sempre cercadas de muita apreensão. Nunca na minha história eu imaginaria experimentar esse tipo de sentimento. E você, o que acha?

– Ontem foi um triste dia para a ciência. O laboratório farmacêutico Merck suspendeu os testes com uma vacina experimental contra a Aids. Segundo reportagem publicada na Folha Online, o experimento falhou em seus objetivos. “A vacina  não conseguiu impedir que os voluntários se contaminassem com o vírus HIV, nem limitar a severidade da doença”. O Brasil também participava dos testes por intermédio da Unifesp e 125 voluntários contribuíam com o experimento. Nenhum dos brasileiros ficou doente no período. Desde sua detecção em 1981 nos Estados Unidos até dezembro de 2006, 25 milhões de pessoas morreram por causa da Aids e cerca de 47 milhões de pessoas vivem com HIV. 

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Estelionato institucionalizado

Uma professora evangélica, da cidade de Franca/SP, ganhou na justiça o direito de receber de volta dinheiro descontado de seu salário a título de dízimo. O dinheiro ia para os cofres da Igreja Adventista.

Segundo reportagem da Folha Online, foram arrecados R$ 31 mil durante quase 10 anos de trabalho. No entanto, a professora receberá apenas R$ 5 mil decorrente de um acordo judicial.

Não é de hoje que as igrejas praticam o que podemos chamar de estelionato institucionalizado. E conta principalmente com a participação e conivência de pessoas como essa professora (por ser professora, esperava-se melhor discernimento).

É fácil: é só olhar alguns “templos” construídos por inúmeras “religiões”, ou mesmo igrejas, catedrais e afins. Está ai para quem quiser ver. Chegou ao cúmulo de se criar um Estado para a igreja, luxuoso, enquanto que seus fiéis, milhares só no Brasil, não têm nem o que comer, vestir ou onde se abrigar. O dinheiro que essas pessoas dão financia rabinos que roubam gravatas, casais que se nomeiam apóstolos e bispas (gargalhadas ao fundo) que escondem dinheiro na Bíblia, padres perdulários e pedófilos, pastores adúlteros, entre outras aberrações, tudo em nome de Deus.

Eu falo mesmo, principalmente porque já contribui com uma igreja e sei onde aqueles pregadores de meia tigela gastavam o dinheiro. Sei hoje! O escândalo só não foi maior porque a igreja era pequena, mas tenho até hoje os relatórios da contabilidade com os absurdos. Moravam nas melhores casas; tinham os melhores carros; celular na época era luxo, mas todos tinham; os filhos estudavam nas melhores escolas, enquanto os “fiéis” mal tinham o que comer ou onde morar. Formada na grande maioria por pessoas “humildes”, até hoje me pergunto como é que fui parar lá!

Mas vejam vocês como essas pessoas são religiosas. A professora que entrou na justiça contra a escola da igreja adventista, agora é evitada nos cultos. Evitada nos cultos? Como assim? Então o que essas pessoas pregam? Respeito às pessoas? Defesa dos direitos daqueles que se sentem prejudicados? Amor? Perdão? Compreensão? O que essa maldita igreja, ou qualquer outra, prega então? O marido da professora lesada disse que ela concordou em pagar o dízimo com medo de perder o emprego. Alguém tem alguma dúvida quanto a isso? Nenhuma! E agora, os “irmãos” a evitam na igreja? Que vergonha! Aliás, tirando a classe dos políticos, a segunda mais vergonhosa são as dos religiosos. Se não for a primeira. Não é mesmo, senador Wellington Salgado?

Alguém aqui já fez o trajeto depois da passagem de uma “Marcha para Cristo”? A quantidade de lixo que deixam no caminho só pode ser coisa do outro mundo.

Ainda sobre o caso da professora, a escola não quis dar declarações e disse que cumpriu a decisão judicial. Mas vocês não gostam tanto de pregar, falar, apontar dedos etc.? E agora o silêncio? Vergonhoso!

Vou parar por aqui porque esse assunto me deixou nauseado e, como diria um amigo do trabalho, pelo que eu ganho já falei demais.

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Quanto mais queijo, menos queijo

Você conhece a história sobre o queijo suíço? Dizem que este queijo é aquele que tem o maior número de buracos. Quanto mais queijo, mais buracos. Entretanto, se levarmos em consideração que os buracos ocupam o lugar onde deveria ter queijo, quanto mais buracos, menos queijo.

Se quanto mais queijo mais buracos e quanto mais buracos menos queijo, logo quanto mais queijo, menos queijo!

Parece estranha essa lógica? Então “escuta” essa:

O medicamento antiinflamatório Naprosyn (naproxeno) do laboratório Roche é indicado para pessoas com fortes dores de cabeça e a não menos famosa enxaqueca, que as mulheres bem conhecem. Isso pode ser facilmente comprovado através de sua bula, que agora tem letras grandes e de certa forma, simplificada.

Lá você fica sabendo que ele é indicado para dores reumáticas, articulares, nas costas, na coluna vertebral, cefaléia (olha a dor de cabeça aí), enxaqueca, dor muscular, entre outras (parece até a pomada do peixe boi da Amazônia).

Até o momento nada de novo. Mas quando você vai ler as possíveis reações adversas do remédio, estão lá, entre outras, cefaléia e enxaqueca. Pela lógica do queijo, você toma o remédio para curar dor de cabeça e enxaqueca e poderá ter como reação adversa, dor de cabeça e enxaqueca.

Quanto mais queijo, menos queijo!

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Curtas e Grossas

Quando falta tempo, vontade e inspiração usamos o artifício de fazer um “apanhado geral” dos acontecimentos, pois assim também podemos dar a entender que estamos por dentro de tudo, sem no entanto, aprofundar muito o assunto. Vamos a elas:

– Descobriram recentemente a possibilidade de existir petróleo no Ártico. Começou então a corrida ao Ártico, com o primeiro passo dado pela Rússia, que diz ter fincando uma bandeira no fundo do oceano. Para mim eles usaram trechos do filme Titanic, pois a última vez que um equipamento russo foi ao fundo, por lá ficou. (Todos se lembram do submarino Kursk?)

– Até o momento 4 países disputam sua posse. A Rússia diz que faz parte de seu território, ligado por cadeia de montanhas submarinas. O Canadá utiliza o mesmo argumento. Já a Dinamarca diz que o Ártico é um prolongamento da Groenlândia, que lhe pertence. E os Estados Unidos, bem, eles são os Estados Unidos e pronto!

– Algumas pessoas são insignificantes e vivem vidas insignificantes. E para piorar, escolhem como meio de vida reclamar de tudo que está a sua volta. Eu sinceramente não tenho estômago para este tipo de coisa! (Desculpem o desabafo).

– Enfim encontraram Salvatore Cacciola, o banqueiro que foi ajudado pelo então presidente do Banco Central Francisco Lopes. Ao saber da notícia nossas “otoridades” ficaram eufóricas esperando colocá-lo atrás das grades. Nem parece que estamos falando do Brasil, não acha? No entanto, a vinda de Cacciola para o Brasil dependerá muito mais da boa vontade das autoridades de Mônaco do que do desejo de nossas “otoridades”. Mas como diria Galvão Bueno, “todo mundo gosta de brasileiro”,  e quem sabe assim Mônaco não fica sensibilizado conosco.

– Gostaria de dar meu bom dia especial ao Senador Wellington Salgado, o parlamentar mais pilantra e cara de pau que eu já conheci até hoje. Acharam que eu esqueceria dele assim tão fácil?

– Algumas vezes questiono a importância de certos estudos. Cientistas italianos divulgaram recentemente que a Terra deverá sobreviver a expansão do Sol. Uma ótima notícia, principalmente se acrescentarmos a ela o fato de que isso deverá ocorrer daqui a mais ou menos 5 bilhões de anos.

 – Voltando um pouco à história do Ártico, fiquei pensando a respeito da reivindicação dos países. Imagine você se descobrem Petróleo na Amazônia, já pensou o pessoal falando que a Amazônia é deles porque um grão de pólen daquela região viajou do hemisfério norte até encontrar um descampado e ai… Surgiu a Amazônia!

– Você já leu algum livro de auto-ajuda? Eu tenho um que atualmente serve para fazer piada no ambiente de trabalho (na hora do almoço, obviamente). Uma das frases lidas é a seguinte: “Sucesso é conseguir o que você quer. Felicidade é querer o que você conseguiu”. Entendeu? Não se preocupe, você não é o único. Mas posso tentar ajudá-lo a decifrar este mistério. Talvez o mais próximo disso é o fato de que você querer (leia-se contentar-se!) o que você conseguiu é a sua felicidade. Contente-se com o que você tem ou conseguiu até agora. Se você não conseguiu nada, contente-se com sua mediocridade. Isso ajuda a “levantar seu astral”? Essas e outras imbecilidades podem ser encontradas no livro “O Sucesso não ocorre por acaso”, do lamentável “Doutor” Lair Ribeiro.

Penso que para curtas é melhor eu parar aqui antes que se tornem longas.

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A volta do Império Romano

Algumas histórias, quando contadas, parecem mentiras ou inventadas por mentes dissimuladas em busca de um pouco de divertimento ou coisas do tipo.

Mas algumas histórias estão muito acima do imaginário popular e por isso mesmo é a mais pura verdade. É uma dessas que eu vou contar para vocês nas linhas que seguem.

Duas garotas, provavelmente alunas do último ano do ensino médio ou quase isso, conversavam enquanto iam para a escola.

Uma explicava para a outra que em Roma, como o primeiro Imperador chamava-se Cesar, todos os demais imperadores eram chamados de césares também. Eu nem sei se isso é verdadeiro, mas o desfecho da história faz com que isso não faça a menor diferença.

A garota disse que antes os imperadores eram denominados assim, mas que “agora eu não sei como é que está”! 

Como assim, agora? Confesso que custei a acreditar no que tinha ouvido. Fiz até um exame de consciência, tentando reconstituir em minha mente as últimas palavras da estudante. Inacreditável! Simplesmente e absurdamente inacreditável!

Por fim, contentei-me em achar que, pelo fato de não mais assistir telejornais, o Império Romano havia ressurgido das cinzas e eu fiquei sem saber.

A julgar pelo “conhecimento” da moça, que vai crescer, tomar decisões importantes, votar, ser votada – ela é “o futuro do país” – continuaremos a ter wellingtons salgados perambulando pelo “velho-oeste brasileiro”.

Mas, afinal, que nomes estão recebendo os imperadores de Roma?

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Energia nuclear, no meu país? Só se for na França!

Por um momento eu imaginei ser possível que a energia nuclear pudesse contribuir em parte ou até mesmo resolver, dentre outros problemas, o aquecimento global. Então “eu acordei”.

Para que pudéssemos ter uma energia limpa em nosso país precisávamos ter ou construir usinas nucleares. Como morava numa região próxima às usinas de Angra dos Reis, conheço bem aquela história e sabemos a situação de abandono que há lá. Obviamente fiquei surpreso com a decisão de construir Angra 3. Sabe qual era o apelido das usinas? Vaga-Lume!

Nossas usinas não servem, certamente não cuidamos de maneira adequada dos resíduos e não conseguiremos construir nenhuma outra sem que “rios de dinheiro” deságüem nos bolsos de políticos e empresários.

Só me resta usar a frase de um personagem do meu desafeto, Bemvindo Sequeira (ele deu notas baixas para Estação Primeira de Mangueira): “Aqui, no meu país? Só se for na França!”

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